Ciclone ganha força e muda o tempo no Centro-Sul; temporais entram no radar

Publicado em 30/09/2026 10:35
Frente fria leva chuva forte, trovoadas e risco de granizo a várias regiões, enquanto massa de ar frio derruba as temperaturas e pode provocar geadas no Sul
Andreia Marques - Jornalista NA

Após enfrentar dias seguidos de calor extremo, com termômetros superando 37 °C em São Paulo e passando dos 40 °C no Centro-Oeste, o padrão climático no Brasil começa a passar por mudanças significativas. A formação de um ciclone extratropical e o deslocamento de uma frente fria a partir do Sul do país prometem aliviar as altas temperaturas e organizar o retorno das precipitações em importantes polos produtores ao longo do mês de outubro. 

Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, a transição climática é impulsionada pela ciclogênese no Sul, que deu origem a uma frente fria capaz de deslocar a massa de ar quente que predominava sobre o país. O contraste térmico acentuado favorece a formação de nuvens carregadas e temporais localizados à medida que o sistema avança em direção ao Sudeste e ao Centro-Oeste.

"A frente fria não necessariamente vai virar um frio intenso como a gente observou nas semanas anteriores, mas vai esfriar bem. Ao invés de dar 34 °C ou 33 °C, volta para a casa dos 20 e poucos graus", explicou Nascimento. O meteorologista pontua que as temperaturas mínimas também recuam, saindo da faixa acima dos 20 °C para marcas entre 16 °C e 17 °C, proporcionando um clima mais ameno.

Alívio no Rio Grande do Sul 

No Sul do país, que registrou acumulados severos,  com localidades na fronteira com o Uruguai acumulando quase 300 mm, a frente fria em deslocamento proporciona uma breve trégua de dois a três dias, especialmente para o Rio Grande do Sul. Por outro lado, em Santa Catarina e no Paraná, a precipitação perde intensidade, mas não cessa por completo.

Para as lavouras do Centro-Oeste e Sudeste, a virada do tempo traz umidade esperada para o início do plantio da safra. Municípios de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Minas Gerais devem registrar precipitações crescentes nos primeiros dias de outubro, ainda que de forma escalonada e pontual.

Cenário para o Matopiba 

Nas regiões Norte e Nordeste, o comportamento das chuvas segue padrões contrastantes. Enquanto a bacia ocidental da Amazônia lida com excesso de água em função das chuvas na região andina, áreas do Matopiba e o sertão baiano ainda convivem com tempo seco e calor intenso. Em estados como Bahia, Piauí e Maranhão, a regularização das chuvas agrícolas é projetada apenas para meados de novembro em diante.

Sobre especulações a respeito de uma possível transição para La Niña em 2024, Nascimento alertou que modelos matemáticos já indicam essa hipótese devido à necessidade de compensação energética da atmosfera, mas enfatizou que ainda é prematuro cravar o cenário para o próximo ciclo.

El Niño ativo e o aquecimento dos oceanos

O El Niño, Alexandre segue plenamente configurado e atuante, com anomalias de até 2,2 °C na porção central do Oceano Pacífico e registros próximos a 4 °C acima da média perto da costa sul-americana. O meteorologista reforça que o acoplamento oceano-atmosfera está ativo e que o Atlântico também se encontra excessivamente aquecido, o que interfere diretamente na dinâmica climática global.

"O clima na fazenda não depende única e exclusivamente do El Niño. Existe uma infinidade de variáveis que combinadas produzem o clima. O planeta inteiro está quente, não tivemos um final de setembro tão quente no planeta como agora", destacou o especialista, desmistificando a ideia de que eventos de chuva isolados no Nordeste invalidariam a presença do fenômeno.

* Com auxílio de IA

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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