Falta de chuva em MT e excesso no Sul: os desafios do clima para a safra
O excesso de chuvas no Sul do Brasil, impulsionado pela atuação de um El Niño gera preocupação entre os produtores agrícolas, com destaque para o estado do Paraná. O acumulado de chuvas registrado desde o início de setembro representa o maior volume dos últimos 20 anos, atingindo o ápice pluviométrico observado no estado durante este século.
As chuvas recorrentes têm afetado fases cruciais do calendário agrícola paranaense. A combinação de solo excessivamente encharcado com a baixa radiação solar, provocada pela constante nebulosidade, prejudica o desenvolvimento vegetativo do milho de primeira safra e da soja, além de comprometer a qualidade dos grãos de trigo prontos para a colheita, do feijão e de lavouras de batata.
Em análise dos dados agrometeorológicos, o analista de safra da EarthDaily Agro, Felippe Reis, ressaltou a intensidade do fenômeno atual ao compará-lo a eventos passados: "Se a gente observar a precipitação acumulada do Paraná, é o maior volume dos últimos 20 anos, desse século. O modelo europeu e o modelo americano trazem previsões de chuvas acima da média para os próximos dez dias", pontuou.
Reis também compara com outros períodos de El Niño acentuado, como os ciclos de 2015/16 e 2023/24: "Quando a gente faz a análise histórica, mesmo em anos de El Niño nós temos chuvas mais intensas. O El Niño já está impactando o clima na Região Sul do Brasil através das chuvas bem acima da média", explicou o analista, frisando que o cenário contrasta fortemente com o observado no Centro-Oeste e no Matopiba, onde a irregularidade e a falta de água trazem outros tipos de obstáculos.
Expectativas para o verão e a segunda safra
O comportamento do clima nos próximos meses definirá o impacto final sobre a produção. Caso as precipitações sigam o padrão de eventos climáticos anteriores, há a possibilidade de que os volumes comecem a se aproximar da média histórica a partir de dezembro ou meados de janeiro. Por outro lado, caso a intensidade se prolongue até o início do próximo ano, a colheita da soja e o plantio do milho safrinha (segunda safra) poderão sofrer atrasos expressivos.
O setor agrícola do Sul permanece sob sinal de alerta máximo, exigindo acompanhamento rigoroso do desenvolvimento das lavouras remanescentes e estratégias adaptadas de manejo fitossanitário para conter perdas adicionais.
* Com auxílio de IA