Da nutrição ao controle de doenças: o que fazer no manejo do conilon em reta final para a safra
Com a aproximação da colheita do café conilon, o manejo das lavouras entra em uma fase decisiva. Nesta etapa, práticas relacionadas à nutrição da planta, análise de solo e monitoramento de doenças podem influenciar diretamente na finalização do enchimento dos frutos, na qualidade dos grãos e no resultado da safra.
Segundo o consultor técnico da Cooabriel, Jayson Salvador Bis, esse é o momento de garantir que o cafeeiro chegue ao final do ciclo em boas condições produtivas. “Antes da safra, é importante fortalecer as plantas, realizando a reposição de nutrientes e buscando manter o equilíbrio nutricional da lavoura”, explica.
Entre os nutrientes que exigem maior atenção nesse período, destacam-se:
-O nitrogênio é o macronutriente mais acumulado pela planta e tem papel essencial na formação de aminoácidos, contribuindo para o vigor vegetativo;
-O potássio está diretamente ligado ao enchimento dos frutos, à qualidade dos grãos e ao transporte de açúcares na planta.
-O cálcio e o boro contribuem para um melhor pegamento e formação dos frutos, desde o início da formação das gemas florais.
-O magnésio é essencial na formação da molécula de clorofila, atuando também na ativação de enzimas, promovendo condição para que a planta produza fotoassimilados de maneira plena, sem estresse.
Análise de solo orienta decisões no campo
Outro ponto fundamental nesta fase é a realização da análise de solo. Ela fornece informações cruciais sobre as condições químicas da área cultivada, permitindo que o produtor faça ajustes mais precisos no manejo nutricional.
“A análise de solo deve ser feita de forma periódica, para otimizar o uso dos insumos, preservar o equilíbrio ambiental e maximizar os resultados econômicos”, destaca Jayson.
Com base nos dados levantados, é possível evitar problemas que podem comprometer o desempenho da lavoura, como baixa produtividade, má formação de grãos, plantas desuniformes ou desequilíbrios de acidez, que dificultam a absorção dos nutrientes disponíveis.
A ferrugem do cafeeiro exige monitoramento constante
Além da nutrição e do manejo do solo, o produtor também deve manter atenção redobrada ao surgimento de doenças.
A ferrugem do cafeeiro (Hemileia vastatrix) figura entre as maiores ameaças à cultura devido ao seu alto potencial de dano. O alerta vem do consultor, que destaca o efeito cascata da doença. “Se a planta sofre desfolha, perde em capacidade produtiva, o que pode comprometer tanto a safra atual quanto a próxima”, ressalta.
Entre os principais sinais da doença estão o aparecimento de manchas amareladas na parte superior das folhas; a presença de pó alaranjado na parte inferior, característico da esporulação do fungo; o amadurecimento precoce e a queda excessiva das folhas também são sinais de alerta.
O monitoramento constante e a avaliação correta dos níveis de infestação são fatores decisivos para o manejo e sucesso no controle da ferrugem do cafeeiro.
Mesmo em uma fase avançada do ciclo da cultura, alguns equívocos no manejo ainda podem impactar negativamente o resultado da colheita. Segundo Jayson, um erro comum é adubar sem considerar a análise de solo. “Nesses casos, é frequente o excesso de nitrogênio em detrimento de outros nutrientes essenciais, como cálcio, boro, magnésio e potássio”, pontua.
Outros pontos de atenção são a falta de ajustes na irrigação e a presença de plantas daninhas que competem por água, luz e nutrientes.
De acordo com o consultor, o acompanhamento técnico e a atenção ao manejo podem fazer trazer diferença significativa no desempenho da lavoura e no resultado econômico da safra. "Um dos maiores equívocos é considerar que a safra já está garantida. Nesta fase a planta ainda está definindo o peso dos grãos, a qualidade e a produtividade final”, conclui o consultor.