O Brasil que nasce do biodiesel
Todo país precisa decidir o que fazer com aquilo que produz bem. O Brasil encontrou no biodiesel uma das respostas mais completas para essa pergunta.
Em 10 de agosto, foi celebrado o Dia Internacional do Biodiesel, há razões concretas para olhar além do combustível que chega aos tanques.
Por trás de cada litro existe uma cadeia que começa no campo, passa pela indústria, gera alimentos, movimenta cidades, cria oportunidades para milhares de famílias e reduz nossa necessidade de buscar energia fora do país.
Em 2026, essa contribuição ganha ainda mais dimensão. A cadeia da soja e do biodiesel projeta crescimento de 6,87% no ano. Estudos apontam ainda que cada real destinado à produção de biodiesel pode movimentar R$ 4,40 na economia brasileira. São recursos que circulam muito além das usinas: chegam ao transporte, aos serviços, ao comércio e aos municípios onde a produção acontece.
É no interior do Brasil que parte importante dessa transformação se torna visível.
Mais de 300 mil agricultores familiares estão integrados à cadeia do biodiesel. Por meio do Selo Biocombustível Social, cerca de R$ 9 bilhões são movimentados na compra de matérias-primas desse segmento. Isso significa mercado, renda e oportunidade para quem produz. Significa também criar condições para que novas gerações enxerguem futuro onde nasceram.
Há outra contribuição que merece ser compreendida. A produção de biodiesel está ligada ao processamento de matérias-primas que também geram farelo e outros coprodutos fundamentais para a produção de proteínas animais. É uma engrenagem na qual energia e alimento não disputam espaço. Um fortalece o outro.
O Brasil construiu essa cadeia ao longo de duas décadas. Hoje, são 59 usinas e uma capacidade instalada de aproximadamente 15,6 bilhões de litros por ano. Existe indústria, tecnologia, matéria-prima e conhecimento para avançar.
A Lei do Combustível do Futuro colocou esse avanço no horizonte do país. Mais que ampliar percentuais de mistura, ela reconhece o papel dos biocombustíveis em uma estratégia que reúne descarbonização, segurança energética, desenvolvimento industrial e geração de renda.
Chegar a misturas maiores significa aproveitar melhor uma capacidade que já existe. Significa produzir aqui uma parcela maior do combustível que consumimos, reduzir a exposição ao diesel importado e manter investimentos e empregos dentro das nossas fronteiras.
O biodiesel também nos ensina que a transição energética brasileira não precisa copiar modelos construídos longe da nossa realidade. Temos terra, agricultura competitiva, indústria, ciência e pessoas preparadas para oferecer nossas próprias respostas.
É essa maturidade que celebramos em agosto e levamos para todos os meses do ano.
Depois de tantos anos discutindo o potencial do biodiesel, talvez tenha chegado o momento de mudar a pergunta. Não se trata mais de saber até onde essa cadeia pode chegar.
Trata-se de decidir quanto desse potencial o Brasil está disposto a transformar em desenvolvimento.