Balanço das exportações de amendoim: agosto antecipa a desaceleração de fim de ano
Os dados de agosto do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram queda nas exportações de grãos e óleo de amendoim — pela segunda vez consecutiva no caso dos grãos, e pela terceira no óleo. Historicamente, esta época do ano costuma registrar volume estável ou em alta; a desaceleração só seria esperada perto do fim do ano. Em 2026, ela veio antes.
O recuo, porém, ainda não compromete o acumulado. Entre janeiro e agosto, os grãos estão com volume 20% acima da comparação com o mesmo período do ano passado — se a média mensal se mantiver, o ano pode fechar com novo recorde de exportação. O óleo está 24% abaixo, mas o país ainda deve superar as 125 mil toneladas, número relevante na série histórica.
O problema, no entanto, não são os volumes, e sim os valores recebidos pelos exportadores, ou seja, os preços internacionais. Em dólar, a soma de grãos e óleo no acumulado está em US$ 378 milhões, contra US$ 396 milhões no ano passado.
O que está acontecendo?
Os preços internacionais do óleo e dos grãos vêm subindo lentamente, mas as contas da cadeia no Brasil ainda não fecham. Os preços, em R$/ton, recebidos atualmente pelas exportações de grãos e de óleo estão 34% e 38% mais baixos respectivamente em relação a 2.021, enquanto os custos de produtores e beneficiadores/exportadores só subiram no período.
Na origem, os preços atuais na faixa de R$ 72 a R$ 78 por saca de 25 kg seguem insuficientes para cobrir o custo de produção de boa parte dos produtores. Quem compra amendoim nesse valor para beneficiar, processar e exportar também trabalha com margens negativas ou próximas disso, principalmente no óleo. E o mercado interno, por sua vez, continua desaquecido. O cenário é muito desafiador.
O que pode ser feito?
Grande parte dos fatores negativos estão fora do controle da cadeia: taxa de juros, gastos do governo, câmbio, clima, guerras, tarifaço, preço do diesel, custo Brasil, dificuldade de crédito e falta de seguro agrícola. Mas há oportunidades para a ação.
Ao produtor, cabe atacar o que está ao seu alcance: reduzir o custo de produção e aumentar a produtividade — sempre que o clima colaborar. Isso passa por boas práticas agrícolas, manejo integrado de pragas, semeadura na palha (sobretudo para o produtor paulista) e gestão do negócio. Estimar o custo da próxima safra e acompanhar o mercado para antecipar a tendência dos preços futuros é essencial.
Aos demais elos da cadeia, a recomendação é união. É preciso estimular o consumo interno de grãos e de óleo — alimentos com benefícios à saúde comprovados —, criar e efetivar estratégias de marketing para os mercados interno e externo e investir em rastreabilidade. Exemplos de outros países mostram que essas ações ampliam o consumo interno, o que poderá reduzir nossa dependência das oscilações internacionais e das exportações. Afinal "o sucesso não é definitivo, o fracasso não é fatal, o que conta é a coragem de continuar" frase atribuída a Winston Churchill.