FEIJÃO COM ARROZ, artigo de "João das Abóboras", produtor de feijão

Publicado em 26/06/2013 14:58 e atualizado em 27/06/2013 09:06
João Alves da Fonseca é produtor rural em Paracatu, noroeste de Minas. Produz abóboras e feijão irrigado (com pivô central)

O consumidor brasileiro consome aproximadamente 1,5 kg de feijão por mês per capita, e, atualmente, os preços das gôndolas dos supermercados variam em tempos normais entre R$ 3,00 e R$ 4,00 o kg..., isso significa aproximadamente que 1% do salário mínimo mensal é destinado na compra do feijão..., se estes números ficassem estáveis, o produtor poderia receber por volta de R$ 120,00 / SC-60 kg e ainda proveria margem a toda à cadeia de comercialização. Entretanto os atravessadores / especuladores, com suas larguíssimas gargantas, não se contentam com estas margens e por meios nada convencionais tiram margens maiores no lombo dos produtores.

Se o feijão chegar a R$ 8,00 o kg ao consumidor (R$ 480,00 / SC), ainda assim o mesmo gastaria apenas R$ 12,00 por mês per capita (2% do salário mínimo), o que significa 4 passagens de ônibus para circular na maioria das cidades brasileiras. Portanto, se os atravessadores encurtassem um pouco as suas margens, o consumidor hoje poderia pagar entre R$ 5,00 a R$ 6,00 / kg –  e este valor não prejudicaria o orçamento de ninguém, ou seja, teria uma diferença a mais no seu orçamento doméstico de apenas R$ 3,00 por mês (ou equivalente a um passe de ônibus).

No afã de achar que vai resolver o problema do preço -- desonerando  e importando feijão de variedades não apreciadas pelo consumidor -- o governo acaba cometendo pelo menos 4 erros: 

1.    Faz chegar mercadoria de péssima qualidade ao Brasil, que acaba não sendo vendida nos supermercados, mas presta um grande favor aos especuladores / atravessadores que usam este argumento para comprar mais barato dos produtores.

2.    O preço ao consumidor não diminui, uma vez que não se aumenta a oferta daquele produto que ele deseja e aprecia.

3.    Desestimula o plantio da próxima safra, criando um ciclo vicioso e apenas adiando o problema.

4.    A mercadoria importada, de qualidade duvidosa e de gosto não apetitoso, acaba, posteriormente, virando mais um "produto" da cesta básica, bancada pelo contribuinte a um custo alto.

Resumindo: a desoneração da importação e o estimulo à entrada de feijão de fora (sem qualidade) só deveria ser feita de uma maneira muito bem estudada e equilibrada, porém o que se vê é uma tomada de decisões sem fundamentos, apoiada por especuladores, corretores, atravessadores e por gente que está acostumada a mamar nas tetas do governo..., melhor seria garantir uma verba intocada para manter estoques comprados de produtores brasileiros a um preço que garantidamente todos aceitariam, algo em torno de R$ 2,00 / kg, entregue nos armazéns do governo.  

Nosso feijão com arroz de cada dia, tão fundamental à nossa dieta,  precisa de uma atenção especial, pois além de barato, nutritivo e saboroso não pode ser substituído por nada, nem pela sanha dos especuladores.   

Fonte: Notícias Agrícolas

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