Funai demarcará mais uma Terra Indígena em Lagoa da Confusão/TO

Publicado em 09/07/2013 16:19 e atualizado em 08/03/2020 19:58

Os indígenas miscigenados krahô-kanela das aldeias Lankraré e Takaiurá retomarão a luta pela área que consideram território tradicional no atual estado do Tocantins. Os índios devem apresentar um documento à Coordenação de Identificação da Funai, em Brasília.

Este foi um dos encaminhamentos decididos durante reunião na Terra Indígena da Mata Alagada, no município de Lago da Confusão, realizada durantes esta sexta-feira, 5, e sábado, 6. Os índios foram orientados pelo Ministério Público Federal no Tocantins. O documento deverá detalhar como será feita a ocupação do novo território pelos índios de cada um dos grupos.

A reunião com os dois grupos de krahô-kanela foi promovida pelo Conselho Indigenista Missionário e pelo Ministério Público em função da divergência entre eles. O grupo de índios que vive na TI já demarcada não deseja mais terra, enquanto o grupo que vive fora da reserva quer um território para chamar de seu.

A Coordenação de Identificação da Funai já avisou os índios que as divergências entre eles são da razão da interrupção do processo de ampliação da Terra Indígena. Com o fim da divergência a Funai deve ampliar o território em mais de 33 mil hectares.

Participaram do evento representantes o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Funai, Ministério Público Federal além de indígenas das aldeias Lankraré e Takauirá. O grupo também decidiu pela realização de um novo levantamento antropológico que amplie ainda mais o território reinvindicado pelos índios.

Segundo Wagner Krahô-Kanela, uma das lideranças da aldeia Lankraré, a terra obtida é boa, mas 90% de sua extensão fica alagada no período chuvoso entre janeiro a maio. De acordo com o cacique, mesmo sendo uma quantidade expressiva, a terra não é suficiente para garantir a reprodução física e cultural do povo.

Os produtores rurais têm disposição de vender os imóveis ao governo para ampliação da Terra Indígena. Entretanto, os indigenistas estão armando o circo para expropriar as duas fazendas pelo método convencional de criação de Terras Indígenas com laudos antropológicos forjados e anulação dos títulos de terra incidentes sobre a área. Os produtores rurais vão acabar perdendo a terra recebendo apenas as benfeitorias.

Terra indígena já demarcada

Em 2006 o governo federal comprou duas fazendas com área de 7.600 hectares de terra para a criação da terra indígena dos Krahô-Kanela. A compra da terra com recursos do Incra deveu-se ao fato de que não foi possível identificar o local onde viviam tradicionalmente os Krahô-Kanela.

É preciso lembrar que não existe etnia Krahô-Kanela. Os assim chamados Krahô-Kanela são índios miscigenados provenientes de casamentos entre índios Krahô e Kanela. Eles não tem cultura claramente definida nem território tradicional que já foram demarcados para os Krahô e os Kanela. Krahô-Kanela é uma invenção antropogênica dos antropólogos protocientíficos. 

Não sendo possível demarcar um território pela via tradicional, o governo optou por desapropriar duas fazendas e doá-las aos índios que agora querem mais terra. Cimi e MPF já estão tratando de arrumar um laudo antropológico que sirva ao pleito.

As divergências entre os dois grupos fez com que 19 famílias permanecessem no local que já foi a sede de uma fazenda de gado na região, atualmente denominada terra indígena da Mata Alagada. Os demais índios da etnia vivem atualmente em um lote de um projeto de assentamento do Incra na região, de posse de uma indígena, que recebeu os demais. O local do acampamento provisório, que já dura mais de quatro anos, é denominado aldeia Takauirá.

Esse estratégia de arrumar divergência entre aldeias para pleitear junto à Funai um novo território é comum. A terra indígena do Mato Preto, reivindicada por índios guarani no Rio Grande do Sul, vem de uma divergência entre dois grupos de índios já aldeados na TI Cacique Doble. Os índios brigam entre si e correm para Funai para tomar mais terra de quem vive sossegado alhures. 

Os Krahô-Kanela já escolheram as fazendas que querem que Funai desaproprie. São dois imóveis têm 33 mil hectares e ficam no município de Lagoa da Confusão. Os índios afirmam que essas duas fazendas são o único local que interessa a eles. De acordo com as lideranças as fazendas ainda mantém uma significativa reserva de mata nativa que eles pretendem usar para desmatar e plantar suas roças tradicionais.

O representante do Cimi, Sebastião, afirmou este é o momento de os índios retomarem suas reivindicações. O procurador da República Álvaro Manzano ressaltou o novo território pode motivar novos conflitos entre os dois grupos de krahô-kanela, e que por isso os índios precisam alinhar o discurso que será apresentado à Funai para as novas reivindicações. 

Fonte: Blog Questão Indígena

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