CNA e especialistas debatem perspectivas e desafios do seguro rural na safra 2020/2021

Publicado em 16/09/2020 08:55

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reuniu, na terça (15), especialistas em política agrícola para debater os desafios e as perspectivas do seguro rural na safra 2020/2021.

O debate online foi moderado pela assessora técnica do Núcleo Econômico da CNA, Carolina Nakamura, que afirmou que o seguro rural é um pilar da nova política agrícola e sua importância decorre dos vários riscos que o produtor está exposto, como eventos climáticos e variações de preço.

“Ao reduzir os fatores de risco ou transferi-los para um agente privado, o produtor não compromete seu patrimônio para fazer pagamentos dos recursos tomados, o que permite que ele continue na atividade e mantenha seu nível tecnológico”.

Um dos convidados do debate foi o sócio consultor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros. Segundo ele, com o passar dos anos, o seguro rural passou a ser instrumento vital de resiliência da agricultura, em grandes oscilações de clima e preço.

“O seguro é muito complexo no ponto de vista de precificação, mas é uma ferramenta importantíssima para o Brasil. A consistência nos recursos é a única maneira de criar um mercado privado, rico, dinâmico, grande e que possa comportar os riscos que estão na nossa agricultura”.

O professor associado do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da ESALQ/USP, Vitor Ozaki, apresentou um breve histórico do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). “O Programa passou por várias modificações nos últimos seis anos, o que trouxe mais confiabilidade e credibilidade”.

Osaki destacou dois desafios do PSR, sendo o primeiro com relação à base de dados. “Seguros são fundamentados em dados consistentes e o que temos hoje no mercado é o mesmo que tínhamos há muitos anos. O Programa precisa de informações detalhadas, como tipos de solos e níveis de tecnologia utilizados pelo produtor”.

O outro desafio é o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o que se faz com ele. “O Proagro tem o mesmo público do PSR, o que faz com que sejam concorrentes. Talvez devamos pensar em fazer a unificação do tradicional e do PSR”.

O diretor do Departamento de Gestão de Riscos da SPA/MAPA, Pedro Loyola, também foi convidado para a discussão e apresentou as ações do Ministério para a promoção do seguro rural no Brasil, como a criação do projeto Monitor do Seguro Rural e o projeto piloto do PSR para produtores de banana, maçã, uva, soja e milho 1ª e 2ª safra, que se enquadram no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

“O projeto monitor foi criado em julho pelo Mapa, em parceria com a CNA e outras entidades do setor, para discutir os produtos e serviços de seguro rural disponíveis. Já foram avaliados seguros para diversas frutas, trigo, soja, milho 1ª e 2ª safra, café e para o setor aquícola”.

Loyola também falou do aplicativo PSR, ferramenta consultiva para conectar o agricultor com as seguradoras atuantes no município, e do Projeto Qualificação da Rede de Peritos, cujos objetivos são cadastrar profissionais encarregados de comprovação de perdas, capacitar peritos e corretores, ampliar a qualidade dos serviços de comprovação de perdas e viabilizar a certificação.

Fonte: CNA

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