Exportações para os EUA crescem e mantêm padrão industrial, revela Amcham

Publicado em 11/06/2025 15:36
Monitor aponta recorde nas exportações brasileiras, com destaque para bens de mais alto valor agregado. Dados sugerem que as tarifas começam a ser mais sentidas em alguns setores

As exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 16,7 bilhões no acumulado entre janeiro e maio deste ano, segundo dados da edição especial de maio do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil. O resultado representa um crescimento de 5,0% em relação ao mesmo período de 2024 e estabelece um recorde para o período, reforçando o papel estratégico dos EUA como principal destino de bens industrializados brasileiros.

As importações dos EUA para o Brasil também avançaram, somando US$ 17,7 bilhões, um crescimento de 9,9%, o que resultou em um déficit comercial de US$ 1,0 bilhão para o Brasil no acumulado até maio, segundo dados brasileiros. Entre os principais crescimentos estão motores e máquinas não elétricos, óleos combustíveis, óleos brutos de petróleo e aeronaves.

No recorte mensal, as exportações brasileiras alcançaram US$ 3,6 bilhões em maio, um aumento de 11,5% na comparação anual, enquanto as importações americanas recuaram 5,2%. O crescimento nas exportações foi observado também no aumento da quantidade embarcada, que subiu 16,8%.

“Mesmo em um cenário mais desafiador, o comércio bilateral tem se mostrado resiliente, com crescimento consistente nas trocas entre os dois países. Isso reforça o papel do Brasil como parceiro estratégico para atender às demandas da indústria e dos consumidores norte-americanos — e vice-versa”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Exportações industrializadas lideram desempenho

Entre janeiro e maio, 79% das exportações brasileiras para os EUA são compostas por bens industriais, como aeronaves, combustíveis, alimentos processados, químicos e máquinas. Produtos como carne bovina (+196%), sucos de frutas (+96,2%), café (+42,1%) e aeronaves (+27%) puxaram os avanços no acumulado do ano, mantendo o Brasil como fornecedor estratégico em setores com forte demanda.

Esses produtos estão conseguindo manter a competitividade no mercado dos EUA mesmo aplicação de tarifas por alguns motivos, como o fato de o Brasil ser competitivo e líder global em muitos deles, como carnes, sucos e aeronaves e pelo fato de que os EUA crescem a demanda seja por consumo ou questões climáticas que tem afetado sua produção, especialmente no caso de carnes e sucos.

Tarifas aparentam impactar alguns setores

Alguns segmentos registraram retração nas vendas aos EUA, como celulose, ferro-gusa e equipamentos de engenharia. A combinação entre tarifas de até 10% e a concorrência de países com acesso preferencial aos EUA — como o Canadá, por meio do USMCA que é, por exemplo, grande fornecedor de celulose — contribui para esse desempenho.

“Acreditamos ser fundamental intensificar o diálogo e a cooperação entre Brasil e Estados Unidos, com foco na redução de barreiras e na ampliação das oportunidades de comércio e investimentos”, acrescenta o presidente da Amcham.

Mudança na tarifa do aço acende sinal de alerta

O relatório também destaca o caso dos semiacabados de aço, que até maio apresentaram crescimento de 7,3% em valor e 28,4% em volume exportado, mesmo com tarifa de 25%. Entretanto, segundo especialistas, parte dessa exportação aos EUA está sendo feita em portos próximo ao México para trânsito aduaneiro e consumo pela indústria mexicana, o que mostra que pode estar já havendo declínio real nas vendas aos EUA.

Além disso, a tarifa para exportações de bens de aço foi elevada para 50% no dia 4 de junho, o que tende a afetar a competitividade brasileira a partir dos próximos meses. É preciso esperar os próximos meses para entender o efeito.

Superávit comercial dos EUA com o Brasil se mantém

Enquanto o déficit comercial dos Estados Unidos com o mundo aumentou 46,7% no acumulado até abril (dados dos EUA), o comércio com o Brasil segue em equilíbrio favorável para os americanos. Esse dado reforça o potencial da relação bilateral como uma via estratégica e complementar para ambos os países.

A Amcham continuará acompanhando os fluxos comerciais com foco em apoiar a competitividade das empresas brasileiras, estimular a integração produtiva e contribuir para o fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: Amcham Brasil

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Conversa de Cerca #192 - Manejo preventivo de doenças no arroz mantém lavouras mais sadias e com potencial produtivo preservado
Secretário-geral da ONU dispara alarme sobre riscos da IA após Trump minimizar questão
Cine Senar leva experiência do cinema para crianças do Distrito de São Jorge, em Tangará da Serra
MP da renegociação não atende produtores e endividamento ameaça economia do BR, alerta economista da Farsul
Índia considera reduzir impostos sobre importação de óleo vegetal à medida que preços sobem
Synkka lança tecnologias para integrar tratamento de sementes, nutrição de plantas sinergica com bioinsumos e adaptação climática