Pó do tabaco se transforma em fertilizante orgânico

Publicado em 03/02/2026 16:18

Em 2025, 23 mil toneladas do resíduo industrial foram recicladas. O cumulativo dos últimos 12 anos é de mais de 175 mil toneladas de materiais, que retornam às propriedades para fertilizar as lavouras e melhorar a produtividade.

O pó de tabaco, resíduo do processamento das folhas, retorna às propriedades produtoras na forma de fertilizante orgânico. A reciclagem integra as iniciativas em prol da sustentabilidade ambiental conduzidas pelas empresas associadas ao Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco). A produção do Fertileaf é realizada pela Fundação para Proteção Ambiental de Santa Cruz do Sul (Fupasc), e o produto é registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e certificado como fertilizante orgânico Classe A.

Após o processamento, o adubo retorna às unidades industriais, que o distribuem aos produtores por meio do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), fortalecendo a lógica da economia circular junto aos próprios produtores da cadeia. Além da certificação do Ministério da Agricultura, o produto conta com o selo Ecocert, que atesta o uso apropriado do insumo para a produção orgânica, de acordo com normas brasileiras e internacionais.

Conforme dados da Fupasc, entre 2014 e 2025 foram produzidas mais de 175 mil toneladas de fertilizante orgânico. A reciclagem junto à Fundação iniciou em 2014, ano em que foram processadas 5.375 toneladas de pó de tabaco. Com o passar dos anos, a transformação do descarte em fertilizante passou a abranger mais unidades e setores das indústrias, de modo que, atualmente, a totalidade do pó segue para transformação em adubo. Em 2020, já eram produzidas 14.692 toneladas de fertilizante. E em 2025, o volume chegou a 22.991,80 toneladas, que irão fertilizar lavouras da safra 2025/2026.

Para a produção, o pó de tabaco recebe a adição de cinzas de caldeiras à lenha aproximadamente (3%), este um resíduo industrial classe II, gerado nas industrias fumageiras, além de um consórcio de micro-organismos. O coordenador de Sustentabilidade da Fupasc, engenheiro ambiental e de segurança do trabalho Sebastião Bohrer, explica que a cinza é utilizada para correção do pH e que os micro-organismos aceleram a fermentação dos resíduos. “No tratamento, o pó de tabaco e a cinza são umidificados em um sistema coberto, chamado de leiras, onde também é adicionado o consórcio de micro-organismos para promover a degradação e a estabilização dos resíduos”, explica.

Economia circular sustentável
Segundo a assessora técnica do SindiTabaco, Fernanda Viana Bender, a sustentabilidade ambiental e econômica faz parte do propósito das empresas de tabaco, tanto em suas operações industriais quanto nas demais atividades de toda a cadeia produtiva. “A reciclagem de todos os resíduos produzidos é uma ação permanente. E, no caso da produção de fertilizante a partir do pó de tabaco, cumpre todos os requisitos da economia circular sustentável”, afirma. “E isso vem sendo alcançado com o comprometimento dos gestores e das equipes técnicas”, completa.

O que é o Fertileaf
E um fertilizante orgânico Classe A, com registro no Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA EP RS-3713-3, resultado de cerca de 20 anos de pesquisas e experimentos para o desenvolvimento da biotecnologia e da estrutura adequada para compostagem e estabilização dos resíduos provenientes do setor fumageiro. O produto também é certificado pela Ecocert como insumo apropriado para a produção orgânica. O processo de compostagem foi desenvolvido com base nas premissas da economia circular, em que o produto gerado retorna aos produtores.

Como é produzido
A produção do Fertileaf ocorre por meio de um processo de compostagem em área 100% coberta, com ciclo fechado, denominado fermentação em estado sólido, sem geração de resíduos líquidos. A eficiência do processo é avaliada diariamente por meio da medição da temperatura das pilhas de maturação do composto orgânico e também por ensaios de germinação de sementes de ervas daninhas. A fundação recebe o pó cru e as cinzas das empresas associadas, adiciona os micro-organismos e, após 90 a 120 dias de maturação e estabilização, o produto está pronto para retornar às empresas. Na produção, 100% da energia utilizada é proveniente de usina solar própria, e 100% da água é de reuso (pluvial).

Fonte: SindiTabaco

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