Dólar termina sessão estável, mas acumula queda de 2,17% em fevereiro

Publicado em 27/02/2026 17:28

 

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 27 Fev (Reuters) - Após superar os R$5,17 pela manhã, em meio à disputa dos investidores pela formação da Ptax de fim de mês, o dólar perdeu força ante o real e fechou a sexta-feira muito próximo da estabilidade, com a moeda norte-americana também demonstrando maior fraqueza no exterior no fim da tarde.

O dólar à vista encerrou a sessão com leve baixa de 0,09%, aos R$5,1344. Na semana, a divisa acumulou queda de 0,81% e, no mês, recuo de 2,17%. No acumulado de 2026, o dólar à vista registra queda de 6,46%.

Às 17h06, o dólar futuro para abril -- que nesta sexta-feira passou a ser o mais líquido no Brasil -- cedia 0,03% na B3, aos R$5,1750.

Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

Em função da disputa, houve maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta do BC, às 10h, 11h, 12h e 13h.

Definida a Ptax (R$5,1495 na venda), o dólar passou a oscilar sem a pressão técnica vista mais cedo, se reposicionando próximo da estabilidade ante o real durante a tarde.

Neste cenário, após atingir a cotação máxima de R$5,1717 (+0,63%) às 10h43, em meio à disputa pela Ptax, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,1230 (-0,32%) às 13h13, logo depois da definição da taxa.

No restante da sessão, o dólar pouco se afastou da estabilidade ante o real, sendo que no exterior a moeda norte-americana também perdeu um pouco de força ante outras divisas.

Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia para a inflação oficial, subiu 0,84% em fevereiro, acelerando ante os 0,20% de janeiro e bem acima da projeção mediana captada em pesquisa da Reuters com economistas, de 0,57%.

Nos 12 meses até fevereiro, a taxa avançou 4,10%, acima da projeção de 3,82%.

Os resultados do IPCA-15 tiveram maior impacto no mercado de renda fixa, onde as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) dispararam, com investidores reduzindo um pouco as apostas de que o Banco Central em março cortará em 50 pontos-base a taxa básica Selic, hoje em 15%.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

No exterior, às 17h12, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,15%, a 97,585.

Fonte: Reuters

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