"No Brasil vamos reciclar mais ou menos a metade de toda a embalagem plástica de defensivo agrícola do mundo", destaca Marcelo Okamura
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A logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas no Brasil se consolidou como uma das principais referências mundiais do setor. Esse resultado é fruto de mais de duas décadas de trabalho conjunto entre produtores rurais, distribuidores, indústria, recicladores e poder público. Nesse processo, o Sistema Campo Limpo e a Campo Limpo S.A. têm papel fundamental na destinação correta e na reciclagem desses materiais.
Segundo Marcelo Okamura, presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) e da Campo Limpo S.A., o Brasil deverá reciclar cerca de 65 mil toneladas de plástico proveniente de embalagens de defensivos agrícolas em 2026. O volume representa aproximadamente metade das 120 mil toneladas recicladas em todo o mundo, conforme dados citados por ele com base em relatório da CropLife International.
"Neste ano vamos reciclar mais ou menos a metade de toda a embalagem plástica de defensivo agrícola do mundo aqui no Brasil", afirmou.
O sistema nasceu para resolver um problema que, até o início dos anos 2000, ainda não possuía uma destinação estruturada. De acordo com Okamura, muitos produtores rurais não sabiam o que fazer com as embalagens vazias após a utilização dos produtos.
"Ou queimavam, ou enterravam, ou simplesmente davam um destino inadequado para essas embalagens porque não existia uma estrutura organizada para recebê-las", explicou.
Com a criação da legislação que definiu responsabilidades para todos os elos da cadeia, o país passou a estruturar uma ampla rede nacional de logística reversa. Atualmente, segundo o presidente do inpEV, o Sistema Campo Limpo conta com cerca de 420 unidades de recebimento espalhadas pelo Brasil, entre centrais e postos de recebimento.
Para atender regiões mais distantes e pequenos produtores, o sistema também realiza operações itinerantes. Apenas no ano passado, mais de 4.500 ações desse tipo foram realizadas, segundo Okamura.
Economia circular como diferencial
Dentro do Sistema Campo Limpo, a Campo Limpo S.A. é responsável pela reciclagem dos materiais recebidos e pela transformação desses resíduos em novos produtos.
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A empresa produz resinas recicladas, embalagens e tampas utilizadas pela própria indústria de defensivos agrícolas. De acordo com Okamura, aproximadamente metade do plástico recebido retorna ao mercado na forma de novas embalagens. O restante é destinado à fabricação de diversos artefatos utilizados principalmente em infraestrutura e construção civil.
Para o executivo, esse processo é um exemplo concreto de economia circular.
"Quando você recicla uma embalagem e produz outra embalagem a partir daquele material, você reduz emissões, reduz consumo de energia, reduz consumo de água e mantém o material circulando dentro da cadeia produtiva", destacou.
Segundo ele, a fabricação de uma bombona de 20 litros com material reciclado evita a emissão de cerca de 1,49 quilo de dióxido de carbono (CO₂) em comparação à produção com resina virgem.
Crescimento impulsiona novos investimentos
O aumento da demanda por embalagens recicladas também tem acelerado os investimentos da empresa. Okamura informou que a Campo Limpo registrou, em 2025, o maior faturamento de sua história, superando R$ 500 milhões. Para 2026, a expectativa é de crescimento entre 10% e 12%.
Segundo ele, a procura pelos produtos já ultrapassa a capacidade nominal de algumas linhas de produção, o que motivou novos investimentos.
"Hoje estamos produzindo acima da capacidade nominal de algumas sopradoras. Por isso estamos investindo para ampliar nossa capacidade produtiva", afirmou.
Nos próximos três anos, a Campo Limpo projeta investir entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões na expansão industrial. Os recursos serão destinados ao aumento da capacidade de reciclagem e à ampliação da produção de resinas, embalagens e tampas.
Entre os projetos em andamento está a instalação de duas novas sopradoras, que deverão elevar a produção em um volume equivalente a aproximadamente 2 milhões a 2,4 milhões de embalagens de 20 litros por ano.
Geração de empregos em toda a cadeia
A expansão do sistema também gera impactos positivos na criação de empregos. Segundo Okamura, mais de 5 mil pessoas atuam diretamente em atividades relacionadas ao recebimento, segregação, prensagem, transporte e reciclagem das embalagens.
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Somando as operações do Sistema Campo Limpo e da Campo Limpo S.A., cerca de 1.200 profissionais trabalham diretamente nas atividades ligadas ao programa.
O avanço da agricultura em regiões como Matopiba, Norte do Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amapá também aumenta a necessidade de novas estruturas de recebimento e processamento.
"Quanto mais a agricultura avança para novas fronteiras, maior é o desafio de aumentar nossa capilaridade para receber e reciclar esses materiais", observou.
Tecnologia e qualidade do material reciclado
Além dos investimentos em infraestrutura, a empresa também vem apostando em inovação e qualificação profissional. Entre os avanços recentes citados por Okamura está a adoção de equipamentos importados da Alemanha para a separação automatizada de tampas por cor, reduzindo custos operacionais e aumentando a qualidade do material reciclado.
Ele também destacou que a companhia está preparando suas lideranças para a futura utilização de ferramentas de inteligência artificial em diferentes etapas da operação.
"Estamos investindo na capacitação das pessoas porque a inteligência artificial terá potencial de aplicação desde o desenvolvimento dos materiais até o controle de qualidade", disse.
Meta é ampliar ainda mais os índices de reciclagem
De acordo com o presidente da Campo Limpo S.A., praticamente todo o plástico, papelão e metal recebidos pelo sistema já possuem destinação para reciclagem. O principal desafio atualmente está nas embalagens flexíveis.
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Um projeto em desenvolvimento deverá permitir a reciclagem desse material a partir de 2028. Com isso, a expectativa é alcançar índices próximos de 98% de reciclagem de todas as embalagens de defensivos agrícolas recebidas pelo sistema.
Para Okamura, os resultados obtidos até agora são consequência da atuação integrada de todos os participantes da cadeia produtiva.
"Esse sistema funciona bem porque agricultores, distribuidores, indústria e recicladores trabalham harmonicamente para o mesmo objetivo", concluiu.
Produtor rural é peça-chave para o funcionamento do sistema
Segundo Okamura, o sucesso do Sistema Campo Limpo depende diretamente do comprometimento dos produtores rurais com a tríplice lavagem, a segregação correta e a devolução das embalagens nos postos de recebimento.
"O agricultor tem uma responsabilidade dentro da cadeia e ela é fundamental para o funcionamento do sistema", afirmou.
Ele ressalta que a qualidade do material reciclado começa ainda na propriedade rural. Quanto melhor forem realizadas a tríplice lavagem e a separação dos materiais, menor será o nível de contaminação das embalagens encaminhadas para reciclagem.
"Quanto melhor a tríplice lavagem for feita e quanto melhor a segregação dos materiais for realizada no campo, melhor será a qualidade dos produtos finais que nós produzimos", destacou.
Segundo o presidente, é justamente a colaboração entre agricultores, distribuidores, indústria e recicladores que permite ao sistema alcançar elevados índices de recuperação e reaproveitamento dos materiais.
Inovação transformou embalagens usadas em novos produtos para o agro
Outro aspecto destacado por Okamura foi a evolução da reciclagem de embalagens agrícolas no Brasil. Segundo ele, quando o sistema começou a ganhar escala, o país ainda enfrentava limitações na capacidade de reciclagem, o que levou a indústria a investir em soluções próprias para ampliar a circularidade dos materiais.
Foi nesse contexto que surgiu a Campo Limpo S.A., criada para transformar embalagens usadas em novas resinas, tampas e embalagens destinadas novamente ao setor agrícola.
"Foi uma decisão da indústria de fechar o ciclo da economia circular, fazendo uma embalagem voltar a ser uma embalagem", afirmou.
Atualmente, a empresa produz embalagens de 5, 10 e 20 litros, além de mais de 50 milhões de tampas por ano para o setor de defensivos agrícolas. Segundo Okamura, a aceitação do mercado cresceu significativamente desde o início das operações, em 2008.
Hoje, de acordo com ele, todas as grandes indústrias do setor utilizam embalagens produzidas pela Campo Limpo, e a demanda já supera a capacidade nominal de algumas linhas de produção.
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