Deputados aprovam projeto que proíbe embargos com base em imagens de satélites

Publicado em 21/05/2026 09:37
Medida reforça fiscalização ambiental e evita erros com punições antecipadas.

Produtores rurais terão mais segurança contra medidas ambientais desproporcionais aplicadas de forma exclusiva por imagens de satélites. O Projeto de Lei 2.564/2025, que trata do tema, foi aprovado, nesta quarta-feira (20), no Plenário da Câmara dos Deputados após a mobilização da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para avançar em pautas do setor.

A proposta mantém a aplicação de medidas administrativas cautelares em casos de irregularidades ambientais. No entanto, garante que essas iniciativas não sejam adotadas antecipadamente como forma de sanções punitivas. Como defendeu a vice-presidente da FPA para a região Centro-Oeste, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), é preciso assegurar o direito de defesa. 

“Nós estamos falando de produtores que amanhecem com suas propriedades embargadas apenas pelo apontamento do sistema remoto, como o Prodes [Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Legal por Satélite], muitas vezes sem a fiscalização presencial, sem contraditório e sem qualquer oportunidade de defesa prévia”, destacou a parlamentar.

O texto ressalta ainda que a imposição de embargos ambientais feitos exclusivamente com base em imagens de satélites estão proibidos. O autor da matéria e coordenador da Comissão de Endividamento Rural da FPA, deputado Lucio Mosquini (PL-RO), lembrou dos casos de restrições ao crédito rural feitos a partir de apontamentos do Prodes.   

“Detectou? Então notifique o produtor. O ônus da prova é todo do produtor porque o satélite não se comunica. O satélite não sabe se ele tem uma licença de desmatamento, o satélite não sabe se houve uma tempestade e caiu uma árvore”, comentou. 

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), recordou que na situação ocorrida com o Prodes, produtores estavam inseguros para tomar crédito. “Teve um caso que nos apresentaram de um pomar de caqui, de produção comercial, em que os pés têm que ser cortados e plantados novamente como acontece no café e tantas outras culturas, e que entram com uma anotação de desmatamento”, disse.

No entendimento da bancada, não há uma fragilização da fiscalização ambiental com a matéria. O que o texto traz é a oportunidade dos produtores apresentarem esclarecimentos antes da prescrição de restrições que afetam o crédito e a atividade produtiva. 

“Esse projeto não acaba com a fiscalização ambiental, não protege ilegalidade, não flexibiliza a crise ambiental. O que ele faz é impedir que as medidas cautelares sejam utilizadas como punição antecipada”, acrescentou a deputada goiana.  

A matéria segue agora para o Senado Federal. Caso receba aval positivo dos senadores e não haja modificação, o projeto irá à sanção presidencial.

Por: FPA
Fonte: FPA

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall St abre em baixa com salto do petróleo devido a novas preocupações com Oriente Médio
Deputados aprovam projeto que proíbe embargos com base em imagens de satélites
Crescimento da zona do euro deve desacelerar em 2026 após conflito no Oriente Médio alimentar inflação
Dólar oscila perto da estabilidade no Brasil enquanto mercado monitora negociação entre Irã e EUA
Ministro André de Paula encerra missão à China com avanços no diálogo agropecuário e cooperação bilateral
Conab eleva previsão de safra recorde de café para 66,7 mi sacas em 2026