Lula vê decisão da China sobre febre aftosa como contraponto a anúncio de tarifas dos EUA
2 Jun (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que a decisão da China de decretar o Brasil como país livre da febre aftosa foi um contraponto à medida dos Estados Unidos de propor tarifas comerciais de 25% sobre várias exportações brasileiras.
"Como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça para um homem cristão como eu, um homem obediente a Deus, o que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para entrar no mercado chinês", disse durante discurso em Catalão, em Goiás, para inaugurar um instituto federal de educação.
"Eu não vou ficar chorando. Se você não quiser comprar de mim, eu vou vender para outro", acrescentou.
Lula também acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência, de ser traidor e vendilhão da pátria, chamando-o de "imbecil".
"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele e são. Na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras", afirmou Lula.
Lula chamou Flávio e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA e faz campanha junto a autoridades norte-americanas pela imposição de sanções a autoridades brasileiras, de "traidores" e afirmou que, no passado, "por muito menos" traidores eram enforcados. "O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem", afirmou.
O presidente ainda chamou Flávio de "covarde" após o senador afirmar nesta terça que, em sua reunião recente com o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu "expressamente" que empresas brasileiras não fossem alvo de tarifas comerciais.
"Ele foi dizer hoje que não falou nada. Ele falou! Ele foi pedir arrego, dizer: 'Trump, dá uma porrada no Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, não deixa, Trump, prejudica o Lula'. Imbecil! Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, ele vai prejudicar os empresários brasileiros, ele vai prejudicar o agronegócio", disse.
Lula afirmou ainda que disse a Trump que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, "não gosta do Brasil", além de classificá-lo como "anti-América Latina" e "inimigo mortal" de vários países latino-americanos.
"O tal do Marco Rubio, que é o chefe do Departamento de Estado, que é o anti-América Latina, que é o inimigo mortal de Cuba, que é o inimigo mortal de vários países latino-americanos e que eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil, não estava na reunião que eu fiz com o Trump. Eu fiz três horas de reunião com o Trump", disse.
(Por Eduardo Simões, em São PauloEdição de Pedro Fonseca e Alexandre Caverni)