Dólar sobe acima de R$ 5,03 com tensão no Oriente Médio e novas preocupações sobre tarifas dos EUA

Publicado em 03/06/2026 10:14 e atualizado em 03/06/2026 10:51
Além da alta do dólar, produtores acompanham com atenção o avanço das discussões tarifárias nos Estados Unidos, que podem afetar a competitividade de importantes produtos do agronegócio nacional

O dólar iniciou os negócios desta quarta-feira em alta frente ao real, sustentado pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela preocupação dos investidores com possíveis impactos das novas medidas tarifárias dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Às 9h42, a moeda norte-americana avançava 0,53%, negociada a R$ 5,0363 na venda.

No cenário internacional, o mercado acompanhava relatos de novos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã, fator que elevou a procura por ativos considerados mais seguros e fortaleceu o dólar frente a diversas moedas emergentes. Ao mesmo tempo, investidores monitoravam os desdobramentos das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após propostas do Escritório de Comércio dos EUA (USTR) que podem resultar em tarifas adicionais sobre exportações brasileiras.

Para o agronegócio brasileiro, a atenção não está apenas no comportamento do câmbio. O mercado acompanha com preocupação a possibilidade de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. Os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações agropecuárias do país e figuram entre os maiores compradores de café, carne bovina, suco de laranja, açúcar e etanol.

Avaliações do Cepea indicam que barreiras comerciais adicionais podem reduzir a competitividade desses produtos no mercado norte-americano e pressionar os preços pagos ao produtor em algumas cadeias exportadoras. 

Ao mesmo tempo, a valorização do dólar frente ao real tende a oferecer suporte à receita das exportações brasileiras. Em momentos de incerteza internacional, como o atual cenário de tensão entre Estados Unidos e Irã, a moeda norte-americana costuma atrair investidores, o que favorece a conversão das vendas externas para o produtor brasileiro. No entanto, ganhos cambiais podem ser parcialmente anulados caso novas tarifas reduzam a demanda por produtos nacionais em mercados importantes, como o norte-americano. 
 

Por: Priscila Alves I instagram: @priscilaalvestv
Fonte: Notícias Agrícolas

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