Cadeia fria sob pressão: falhas de temperatura geram perdas bilionárias no setor de alimentos
Carnes, pescados, laticínios e alimentos congelados estão entre os produtos mais sensíveis da cadeia de abastecimento. Pequenas variações de temperatura durante transporte, armazenamento ou exposição no varejo podem comprometer a qualidade dos alimentos, reduzir sua vida útil e gerar perdas significativas para fabricantes, distribuidores e varejistas, além de riscos ao consumidor.
De acordo com pesquisa encomendada pela Avery Dennison, empresa global de ciência de materiais e soluções de identificação digital, os desafios relacionados à cadeia fria estão entre os principais responsáveis pelo desperdício de alimentos na América Latina e no Brasil, especialmente em categorias que dependem de refrigeração contínua.
Em entrevista recente sobre perdas e desperdício de alimentos na região, Camilo Montes, diretor executivo da Associação Latino-Americana e do Caribe da Indústria de Alimentos e Bebidas (ALAIAB), destacou que garantir a integridade dos alimentos ao longo de toda a cadeia ainda é um desafio importante para empresas de diferentes portes. "A falta de infraestrutura de refrigeração é um dos fatores críticos na região: a América Latina tem uma das maiores lacunas na cadeia de frio do mundo, o que gera perdas que hoje poderiam ser evitadas com a tecnologia disponível. Quando falamos de alimentos refrigerados, pequenos desvios podem comprometer a qualidade do produto e gerar um desperdício significativo", afirma.
Para enfrentar esse cenário, a indústria tem ampliado investimentos em tecnologias capazes de monitorar condições de transporte, garantir rastreabilidade completa, armazenamento e exposição dos produtos. Entre as soluções disponíveis estão a tecnologia RFID e o Fasson® LT2570, adesivo recém-lançado pela Avery Dennison para aplicações em superfícies refrigeradas e congeladas.
Além de apoiar a rastreabilidade, a combinação entre RFID e soluções de monitoramento de temperatura cria uma base de dados que permite análises mais precisas sobre perdas operacionais, desempenho logístico e oportunidades de melhoria
“O grande desafio da cadeia fria é que muitas vezes os problemas só são percebidos quando o produto já chegou ao destino ou quando sua qualidade foi comprometida. Quanto mais cedo essas ocorrências forem identificadas, maiores são as chances de evitar desperdícios”, explica Flavio Marqués, Diretor de Marketing, Vendas e Comunicação para a América Latina da Avery Dennison.
Segundo o levantamento da Avery Dennison, a falta de visibilidade continua sendo um dos principais obstáculos para o combate ao desperdício de alimentos. No Brasil, 61% das empresas reconhecem não ter controle completo sobre onde as perdas ocorrem ao longo da cadeia de suprimentos.
À medida que cresce a pressão por eficiência operacional, segurança alimentar e sustentabilidade, especialistas apontam que o monitoramento contínuo da cadeia fria deverá se consolidar como uma das principais frentes de investimento do setor alimentício nos próximos anos.
Tecnologias que tornam os dados mais acessíveis e ampliam a rastreabilidade tendem a desempenhar papel decisivo na redução do desperdício e na preservação do valor dos alimentos desde a origem até o consumidor final.
“Precisamos olhar para toda a cadeia. As perdas ocorrem na produção, no armazenamento, no processamento, na distribuição e no consumo, o que exige uma intervenção sistêmica e não soluções pontuais. A tecnologia e a colaboração entre os atores da cadeia serão fundamentais para avançar na redução do desperdício”, conclui Camilo Montes.