Queda de mais de 4% pro farelo, puxa soja e pressão da colheita começa a entrar no preço

Queda nos contratos de farelo e avanço da colheita norte-americana impactam Chicago, enquanto fatores geopolíticos e início do plantio no Brasil mantêm produtores atentos.
Publicado em 18/09/2026 15:06 | Atualizado em 18/09/2026 15:58
Ronaldo Fernandes - Analista de Mercado Royal Rural
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Queda de mais de 4% pro farelo, puxa soja e pressão da colheita começa a entrar no preço


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O mercado de commodities agrícolas encerrou a semana com movimentos expressivos de desvalorização na Bolsa de Chicago, com perdas superiores a 4% nas cotações do farelo e recuo acima de 1% nos contratos de soja. O cenário reflete uma combinação de fatores técnicos e fundamentais, incluindo o ritmo dos trabalhos de campo nos Estados Unidos, novidades legislativas na Argentina e expectativas geopolíticas internacionais.

Colheita nos EUA e biodiesel argentino pressionam farelo e soja

A retração observada nos preços da soja em Chicago foi puxada predominantemente pelo farelo de soja, que vinha de uma sequência de 35 dias consecutivos de valorização. O movimento corretivo ganhou força a partir de dois gatilhos principais: o avanço da colheita norte-americana e as movimentações regulatórias na Argentina.

No país vizinho, o Senado aprovou o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel (B10), elevando o patamar de 7,5% para 10%, projeto que ainda depende de análise na Câmara dos Deputados. Caso confirmada, a medida deve ampliar a demanda por óleo de soja e, consequentemente, gerar um excedente de oferta de até 1,15 milhão de toneladas de farelo no mercado internacional.

Paralelamente, o mercado dissipou temores de que chuvas e riscos de inundações em estados produtores como Minnesota e Iowa pudessem paralisar a colheita norte-americana. A constatação de que o ritmo dos trabalhos de campo segue firme aliviou as preocupações sobre um possível desabastecimento de curto prazo nas indústrias esmagadoras dos Estados Unidos, adicionando pressão sazonal de oferta aos preços.

Tensões comerciais e encontro sino-americano

No front geopolítico, os participantes do mercado monitoram de perto o anúncio de um leilão de 500 mil toneladas promovido pela estatal chinesa Sinograin, mas as atenções estão concentradas no encontro agendado entre Donald Trump e Xi Jinping. Precedida por reuniões ministeriais bilaterais, a cúpula traz a expectativa de que Pequim possa retirar a tarifa de 10% incidente sobre a soja norte-americana, medida que, caso concretizada, poderá reconfigurar a competitividade e os fluxos comerciais da commodity.

Câmbio atrelado ao cenário político

No mercado financeiro doméstico, o dólar operou cotado entre R$ 5,15 e R$ 5,18. A precificação da moeda norte-americana reflete não apenas o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, mas também o pulso do cenário político-eleitoral captado por plataformas de probabilidade, mantendo as cotações em uma faixa de estabilidade enquanto o quadro eleitoral não apresentar mudanças bruscas de trajetória.

Clima no Brasil e cotações nos portos

Em relação à safra brasileira, o plantio no Sul do país avança sob regime regular de chuvas, enquanto o Mato Grosso inicia as atividades em ritmo condizente com o padrão histórico. Em Goiás, o início do plantio aguarda o término do vazio sanitário no final de setembro. Segundo as análises, os efeitos do fenômeno climático El Niño ainda não estão plenamente incorporados aos preços futuros, cabendo aos mapas de umidade de outubro a definição da produtividade nas principais regiões produtoras.

No Porto de Santos, as referências de preço físico da soja mantiveram sustentação, com indicações a R$ 163,00 por saca para pagamento em novembro, R$ 155,00 para entrega em fevereiro com pagamento em abril, e R$ 152,00 para entregas em março com liquidação em abril. Já o milho apresentou tendência mais arrefecida: a paridade no porto indicou R$ 69,75 por saca, contrastando com os R$ 76,00 negociados na B3, patamar que sinaliza a necessidade de ajustes técnicos para baixo no curto prazo diante do posicionamento mais cauteloso dos compradores.

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