Importação de MAP recua 18,3% no quadrimestre, enquanto potássio avança 16,5%

Publicado em 18/08/2026 14:20
Entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro cresceram 1,6% entre janeiro e abril; movimento ocorre em meio à queda da produção nacional e à pressão de custos sobre os fosfatados

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 12,30 milhões de toneladas entre janeiro e abril de 2026, alta de 1,6% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, a produção nacional de fertilizantes intermediários recuou 14,4%, para 1,92 milhão de toneladas, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).

No comércio exterior, o comportamento dos principais produtos analisados foi distinto. Levantamento realizado a partir de dados do Comex Stat, plataforma oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aponta que as importações de MAP — fosfato monoamônico — recuaram 18,3% no primeiro quadrimestre de 2026, enquanto as compras externas de cloreto de potássio cresceram 16,5% no mesmo período. O Comex Stat é a base oficial de estatísticas detalhadas do comércio exterior brasileiro.

A comparação em diferentes janelas mostra que tanto o MAP quanto a ureia registraram retração em todos os períodos analisados, embora em intensidades distintas:

O movimento do MAP chama atenção também pela evolução dos preços. De acordo com o levantamento realizado a partir do Comex Stat, o valor médio FOB de importação passou de US$ 621,70 para US$ 736,61 por tonelada na comparação de 12 meses, avanço de 18,5%. Em junho de 2026, atingiu US$ 844,29 por tonelada, maior patamar observado na série de 24 meses analisada.

Os dados da ANDA reforçam um cenário de mudanças no abastecimento. No primeiro quadrimestre, enquanto as entregas cresceram 1,6%, a produção nacional de intermediários caiu 14,4%. No primeiro trimestre, o movimento havia sido semelhante: as entregas avançaram 3,8%, para 9,76 milhões de toneladas, enquanto a produção nacional recuou 16,2%, para 1,41 milhão de toneladas. As importações de intermediários, por sua vez, caíram 4% no período, para 8,15 milhões de toneladas.

A própria ANDA relaciona parte da retração da produção nacional às dificuldades enfrentadas pelos fosfatados. Segundo a associação, a alta contínua do enxofre — matéria-prima utilizada nesse processo produtivo — tem pressionado a fabricação doméstica. A entidade também fez uma ressalva metodológica: no primeiro trimestre, nem toda a produção nacional foi capturada pelas estatísticas em razão de mudanças na estrutura societária de empresas e da retomada de ativos produtivos.

Os números de comércio exterior, isoladamente, não permitem determinar como a redução das compras de MAP foi compensada dentro das estratégias de manejo nutricional das lavouras. Eles mostram, entretanto, um ambiente em que custos, disponibilidade de matérias-primas, crédito e eficiência na utilização dos nutrientes ganham relevância na tomada de decisão do produtor.

Nesse contexto, soluções de nutrição complementar, entre elas os fertilizantes líquidos, podem ser utilizadas em diferentes etapas e vias de aplicação, como tratamento de sementes, aplicação foliar e via solo, de acordo com as necessidades agronômicas de cada cultura.

O mercado brasileiro de biofertilizantes e fertilizantes especiais faturou R$ 25,4 bilhões em 2025, retração de 5,5% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Tecnologia para Produção Vegetal 2026, da Abisolo. A aplicação via folha respondeu por R$ 15,44 bilhões, constituindo a principal via de aplicação em faturamento do setor naquele ano.

Para Douglas Vaz-Tostes, especialista em fertilizantes da GIROAgro, a escolha da tecnologia precisa considerar não apenas a concentração declarada de nutrientes, mas também as características da formulação.

“Aqui está o ponto central para o produtor: a qualidade da matéria-prima e o processo de fabricação mudam completamente o desempenho do produto. Fatores como o grau de quelatização dos micronutrientes, a compatibilidade com defensivos e outros insumos na mistura de calda, a viscosidade e a estabilidade da suspensão determinam se o fertilizante vai entregar o nutriente de forma eficiente”, afirma.

O especialista ressalta, entretanto, que diferentes estratégias nutricionais exercem funções complementares dentro do manejo.

“A nutrição líquida tem papel complementar, não substitutivo, à adubação de base. O foliar é especialmente eficiente para corrigir deficiências pontuais e agir rapidamente em momentos críticos do ciclo, como floração e enchimento de grãos, mas não substitui a construção da fertilidade do solo ao longo do tempo”, completa Vaz-Tostes.

Fonte: GIROAgro

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