Ibovespa recua com receio fiscal no radar, mas Vale atenua queda

Publicado em 17/09/2026 12:00 e atualizado em 17/09/2026 13:59
Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,27%, a 185.046,87 pontos, com Vale atuando como um contrapeso relevante

O Ibovespa abandonou a alta e chegou a recuar mais de 1% nesta quinta-feira, com preocupações sobre o cenário fiscal do país pressionando as ações após o governo anunciar um reajuste imediato nos benefícios do Bolsa Família.

Por volta de 11h40, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,27%, a 185.046,87 pontos, com Vale atuando como um contrapeso relevante. Na máxima, o índice chegou a 186.203,71 pontos. No pior momento, cravou 183.242,37 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$8,77 bilhões. 

A 16 dias das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca novo mandato, anunciou nesta quinta-feira aumento de aproximadamente 15% nos benefícios do Bolsa Família. Ao lado de Lula na apresentação da medida, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o custo do reajuste é de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027.

O anúncio, afirmou Gustavo Silva, sócio-fundador da Private Investimentos, volta a colocar a questão fiscal no centro das atenções. "A medida tem um efeito social e de renda importante, mas, sob a ótica do mercado, o momento do anúncio e o aumento de despesas levantam novamente dúvidas sobre a trajetória dos gastos públicos e a sustentabilidade da dívida no longo prazo."

De acordo com Silva, permanece uma percepção maior de incerteza fiscal, justamente em um momento em que o país ainda convive com juros muito elevados. "Para o mercado, tão importante quanto a direção dos juros é a previsibilidade da política econômica e a confiança de que as contas públicas permanecerão sustentáveis ao longo do tempo."

Agentes financeiros têm defendido medidas para melhorar o quadro fiscal do país, em meio à trajetória crescente da dívida pública em relação ao PIB. Pesquisas eleitorais recentes mostrando uma disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o Planalto têm repercutido positivamente no mercado, uma vez que alimentam apostas de mudanças em Brasília com reflexos na política fiscal.

Mais cedo, pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que Flávio ampliou sua vantagem sobre Lula (PT) em um eventual segundo turno da eleição presidencial, embora os candidatos permaneçam em empate técnico.

Estrategistas do BTG Pactual mantiveram a classificação neutra para as ações brasileiras em seu portfólio para a América Latina, ressaltando que a corrida eleitoral está totalmente indefinida.

"Acreditamos que a eleição está acirrada demais para permitir previsões confiáveis e, por isso, continuamos favorecendo empresas de alta qualidade e elevada liquidez, que, em nossa avaliação, tendem a apresentar bom desempenho sob qualquer um dos cenários, seja uma vitória do atual governo ou da oposição", afirmaram em relatório a clientes.

"Temos evitado recomendações de ações cuja tese de investimento dependa excessivamente de uma melhora fiscal. Podemos mudar essa abordagem se houver razões para isso, mas acreditamos que a classificação atual para o país, Neutra, com foco em qualidade e liquidez, continua sendo a melhor forma de navegar o cenário que está por vir."

Investidores da bolsa paulista também analisam nesta sessão a decisão do Banco Central na véspera de cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 13,75% ao ano. A autoridade monetária deixou os próximos passos em aberto ao afirmar, ao fim da última reunião de política monetária antes das eleições presidenciais, que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.

No exterior,  o S&P 500 avançava 1,07%, em mais uma sessão de recuo dos preços do petróleo o mercado internacional. 

DESTAQUES

• VALE ON avançava 1,32%, em linha com o movimento de mineradoras no exterior. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian fechou o pregão diurno com alta de 0,28%, a 710,5 iuanes (US$105,92) por tonelada. Na contramão, CSN MINERAÇÃO ON perdia 5,76%.

• PETROBRAS PN caía 0,37% e PETROBRAS ON perdia 0,45%, acompanhando o movimento do petróleo no exterior. O barril sob o contrato Brent recuava 2,53%, a US$103,15. A estatal também informou que assinou contratos de partilha de produção para a exploração de oito blocos marítimos na Costa do Marfim "com elevado potencial".

• BRADESCO PN cedia 1,04%, com o sinal negativo prevalecendo no setor. O banco também informou na véspera que encerrou uma primeira etapa de seu aumento de capital, com a subscrição de 402,4 milhões de novas ações (de um total de 604,85 milhões ações), somando R$6,5 bilhões. No setor, BANCO DO BRASIL ON caía 0,48% e ITAÚ ON perdia 0,35%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT subia 2,22%.

• CURY ON recuava 3,81%, em pregão negativo para construtoras, na esteira do avanço das taxas dos contratos de DI. O índice imobiliário na B3 registrava declínio de 1,8%.

• MAGAZINE LUIZA ON caía 3,87%, com o setor de varejo também contaminado pelo movimento na curva futura de juros. O índice de consumo na B3 caía 0,72%.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

Por: Reuters
Fonte: Reuters

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