Algodão fecha em baixa na Bolsa de Nova York; cenários técnico e fundamental empurram preços para baixo
O mercado futuro do algodão encerrou esta quinta-feira(26), em terreno negativo na Bolsa de Nova York, com os principais contratos registrando perdas expressivas em meio a sinais de fraqueza técnica e fundamentos desafiadores para a fibra.
O vencimento março/26 fechou cotado a 63,36 cents por libra-peso, com baixa de 81 pontos, o que equivale a queda de cerca de 1,27% em relação ao fechamento anterior. Os contratos de maio/26 encerraram a 65,36 cents/lb, recuando 91 pontos, uma desvalorização aproximada de 1,37%. Já o contrato julho/26 finalizou a sessão a 67,07 cents/lb, com queda de 73 pontos, ou cerca de 1,07% no dia.
Pressões técnicas e fundamentos globais
O desempenho negativo desta quinta-feira acompanha um movimento de maior cautela no mercado de algodão, alinhado à fraqueza técnica e à falta de impulso comprador nos contratos de referência, mesmo depois de sessões anteriores de volatilidade e recuperação pontual com cobertura de posições vendidas. A queda recente do dólar frente a algumas moedas, como o real, pode ter reduzido parcialmente a competitividade das exportações norte-americanas, mas isso por si só não foi suficiente para sustentar os preços hoje.
Análises técnicas apontam que o preço do algodão enfrenta pressão após romper alguns suportes curtos, o que pode ter incentivado vendas de realização por parte de fundos e traders. A contínua incerteza na demanda global, especialmente diante de sinais de atividade econômica internacional ainda moderada, também pesa sobre o sentimento do mercado.
Outra variável no radar dos operadores é a liquidez do mercado: dados divulgados na sessão mostram um volume de contratos negociados em queda em relação à quarta-feira, embora o open interest (posição em aberto) tenha apresentado alta, indicando que participantes continuam ocupando posições no mercado, mas com menor agressividade compradora.
Brasil no contexto global
No Brasil, o cenário agrícola ainda acompanha a semeadura da safra 2025/26 e a evolução das exportações de pluma de algodão. O câmbio relativamente estável durante a sessão de hoje, com o dólar comercial oscilando próximos de patamares recentes, também influencia as decisões de comercialização interna, já que um dólar menos volátil tende a reduzir as margens de arbitragem para exportadores.
Com a trajetória de preços no mercado internacional agora em baixa, o algodão sinaliza um fechamento de semana com viés negativo, refletindo tanto o ambiente técnico quanto as preocupações mais amplas sobre oferta, demanda e a dinâmica cambial global.