Algodão perde força em Nova York nesta segunda-feira e passa a cair após abrir com alta de quase 1%

Publicado em 02/11/2026 13:24
Contratos revertem os ganhos da manhã, enquanto avanço da colheita americana, ritmo das exportações e posicionamento dos fundos seguem no radar

Os preços futuros do algodão inverteram o movimento observado na abertura e passaram a operar em queda na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) ao longo desta segunda-feira (2). Depois de iniciar novembro com valorizações próximas de 1%, o mercado devolveu os ganhos durante a manhã e voltou ao campo negativo, prolongando a pressão registrada na última semana de outubro.

Por volta das 13h10 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado a 77,58 cents por libra-peso, com recuo de 0,32% em relação ao fechamento anterior. O março/27 também perdia 0,32%, cotado a 81,33 cents, enquanto o maio/27 apresentava baixa de 0,35%, para 82,94 cents. O julho/27 era negociado a 83,48 cents por libra-peso, com desvalorização de 0,30%.

A mudança de direção foi significativa em relação à abertura. Às 9h30, o dezembro/26 avançava 0,90%, negociado a 78,53 cents por libra-peso. Ao longo da sessão, entretanto, perdeu 0,95 cent e passou a trabalhar abaixo do ajuste de sexta-feira (30), quando havia encerrado a 77,83 cents.

A reversão ocorre depois de uma semana negativa para o algodão em Nova York. Entre os fechamentos de 23 e 30 de outubro, o contrato dezembro/26 acumulou desvalorização de aproximadamente 2,96%, refletindo um ambiente de cautela diante da oferta americana e das perspectivas de demanda internacional.

Colheita e exportações continuam no radar

A entrada da safra norte-americana permanece entre os fatores acompanhados pelo mercado. Segundo o último levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 52% da área cultivada com algodão havia sido colhida até 25 de outubro, sete pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos.

O avanço dos trabalhos amplia a disponibilidade física do produto, enquanto os operadores avaliam a capacidade de absorção dessa oferta pelos compradores internacionais.

No comércio exterior, os compromissos de exportação dos Estados Unidos alcançaram 5,665 milhões de fardos da temporada 2026/27 até 22 de outubro, volume 16% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Entretanto, essas contratações representavam 49% da projeção anual do USDA, abaixo da média de 56% observada nos últimos cinco anos para esta época.

O contraste entre o crescimento das vendas em relação ao ano passado e o ritmo ainda inferior à referência histórica mantém a demanda como uma das principais variáveis para a formação dos preços.

A atenção também se volta ao novo relatório de progresso das safras americanas, previsto para as 18h (horário de Brasília) desta segunda-feira, que deverá atualizar o percentual de área colhida até 1º de novembro.

Fundos e competitividade brasileira completam o cenário

Outro elemento acompanhado pelos operadores é a movimentação dos investidores no mercado futuro. Os dados de posicionamento referentes a 27 de outubro mostraram redução das posições líquidas compradas dos gestores de recursos, em um ambiente de reavaliação das perspectivas de valorização do algodão.

A retirada de parte dessas posições ajuda a contextualizar a pressão recente sobre os futuros, embora não permita identificar, isoladamente, o motivo da reversão registrada nesta segunda-feira.

No Brasil, a formação dos preços continua influenciada pelas oscilações cambiais e pelas condições de demanda doméstica e externa. A valorização do dólar na última semana elevou as referências de paridade de exportação, mas o mercado físico permaneceu com negociações limitadas, segundo acompanhamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Para os produtores brasileiros, a mudança de direção em Nova York reforça a necessidade de acompanhar tanto os futuros internacionais quanto o câmbio e as condições efetivas de comercialização. A recuperação ensaiada na abertura ainda não encontrou sustentação, enquanto os próximos dados de colheita e exportação dos Estados Unidos poderão acrescentar novas referências para o mercado ao longo de novembro.

Fonte: Notícias Agrícolas

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