Algodão inicia novembro em alta de quase 1% em Nova York após perdas superiores a 2% na última semana
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Os preços futuros do algodão iniciaram novembro em alta na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), recuperando parte das perdas registradas na última semana de outubro. Nesta segunda-feira (2), os principais vencimentos apresentavam valorizações próximas de 1%, em um mercado que continua acompanhando o avanço da colheita norte-americana, o desempenho das exportações e o posicionamento dos investidores nos contratos futuros.
Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado a 78,53 cents por libra-peso, com valorização de 0,90% em relação ao fechamento anterior. O março/27 avançava 0,82%, cotado a 82,26 cents, enquanto o maio/27 registrava ganho de 0,71%, para 83,82 cents. O julho/27 subia 0,87%, negociado a 84,46 cents por libra-peso.
A recuperação ocorre depois de uma sexta-feira (30) marcada por novas perdas. Na ocasião, o dezembro/26 encerrou a sessão a 77,83 cents por libra-peso, acumulando desvalorização de aproximadamente 2,96% em relação ao fechamento de 23 de outubro, quando estava cotado a 80,20 cents.
O balanço mensal, entretanto, apresentou oscilações menos intensas. Na comparação com o fechamento de setembro, de 78,52 cents por libra-peso, o dezembro/26 terminou outubro praticamente estável, com recuo de 0,88%. O comportamento mostra que parte relevante da pressão recente ficou concentrada na última semana do mês.
Colheita americana avança e exportações apresentam sinais mistos
O desenvolvimento da safra norte-americana permanece entre os principais fundamentos acompanhados pelo mercado internacional de algodão.
Segundo o último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita havia alcançado 52% da área cultivada até 25 de outubro, ritmo sete pontos percentuais superior à média dos últimos cinco anos. O levantamento também apontou que 89% dos capulhos estavam abertos, percentual três pontos abaixo da média histórica.
A entrada da produção amplia a disponibilidade do produto no mercado e mantém a atenção sobre as condições de oferta ao longo dos próximos meses.
Do lado da demanda, os compromissos de vendas para exportação dos Estados Unidos somavam 5,665 milhões de fardos da temporada 2026/27 até 22 de outubro, volume 16% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Apesar do crescimento anual, as vendas já comprometidas representavam 49% da projeção de exportações do USDA para a temporada, abaixo da média de 56% observada nos últimos cinco anos para este ponto do calendário comercial.
Essa diferença evidencia que, embora as vendas acumuladas superem o desempenho do ciclo anterior, o ritmo ainda precisa avançar para acompanhar as metas projetadas para a temporada.
Nesta segunda-feira, os operadores também aguardam uma nova atualização do progresso da safra americana, prevista para as 18h (horário de Brasília), com informações referentes à semana encerrada em 1º de novembro.
Fundos reduzem posições compradas e mercado brasileiro acompanha o câmbio
Outro componente observado pelos agentes é o posicionamento dos investidores no mercado futuro.
Os dados do relatório Commitments of Traders (CFTC), referentes a 27 de outubro, indicaram redução de 12.721 contratos nas posições líquidas compradas dos gestores de recursos em algodão, que passaram a totalizar 47.877 contratos.
O movimento sinaliza uma diminuição da exposição comprada dessa categoria de investidores, após um período de oscilações expressivas nas cotações internacionais. Entretanto, a recuperação registrada nesta manhã ainda não permite afirmar que os fundos estejam retomando de maneira consistente suas posições anteriores.
No Brasil, as oscilações do dólar frente ao real também permanecem relevantes para a formação dos preços. A valorização da moeda norte-americana na última semana aumentou as referências de paridade de exportação, embora o mercado físico doméstico tenha continuado com baixa liquidez.
Segundo acompanhamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as negociações internas permaneceram limitadas, com vendedores e compradores apresentando diferenças nas expectativas de preços.
Para os produtores brasileiros, a recuperação dos futuros internacionais nesta segunda-feira representa uma melhora inicial das referências de comercialização após as perdas da última semana. Entretanto, o comportamento dos preços domésticos também dependerá da evolução cambial, da demanda da indústria têxtil e das condições de exportação da pluma brasileira.
O avanço da colheita norte-americana, os próximos indicadores de demanda e o posicionamento dos fundos continuarão entre os fatores determinantes para a direção das cotações ao longo de novembro.
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