Algodão devolve ganhos da manhã e fecha em queda em Nova York, com colheita americana no radar
Os preços futuros do algodão encerraram a segunda-feira (2) com pequenas perdas na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), depois de reverterem as valorizações registradas durante a manhã. O contrato dezembro/26 chegou a avançar mais de 1% no primeiro pregão de novembro, mas perdeu força ao longo da sessão e terminou no campo negativo, em um mercado que continua acompanhando o avanço da colheita norte-americana e o desempenho das exportações.
O contrato dezembro/26 fechou cotado a 77,66 cents por libra-peso, com recuo de 0,17 cent, equivalente a 0,22%. O março/27 perdeu 0,10 cent, encerrando a 81,49 cents, enquanto o maio/27 também recuou 0,10 cent, para 83,13 cents. O julho/27 terminou negociado a 83,64 cents por libra-peso, com baixa de 0,09 cent.
A mudança de direção foi um dos destaques do pregão. Na abertura, por volta das 9h30 (horário de Brasília), o dezembro/26 apresentava valorização de 0,90%, negociado a 78,53 cents por libra-peso. Durante a sessão, o contrato alcançou máxima de 78,72 cents, mas depois recuou até a mínima de 77,31 cents, antes de encerrar próximo dos níveis registrados na sexta-feira (30).
O movimento ocorreu após uma última semana de outubro marcada por perdas expressivas. Entre os fechamentos de 23 e 30 de outubro, o dezembro/26 acumulou desvalorização de 2,96%, passando de 80,20 para 77,83 cents por libra-peso.
Colheita americana mantém atenção sobre disponibilidade
A entrada da safra dos Estados Unidos continua entre os principais fundamentos acompanhados pelo mercado internacional de algodão. Segundo o último levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 52% da área cultivada havia sido colhida até 25 de outubro, acima da média de 45% dos últimos cinco anos.
O avanço dos trabalhos amplia a disponibilidade do produto durante um período de pressão sazonal sobre as cotações, enquanto os operadores avaliam o ritmo de absorção da oferta pelos compradores internacionais.
Nesta segunda-feira, o mercado também aguardava uma nova atualização do Crop Progress, prevista para as 18h (horário de Brasília), com os dados de avanço da colheita até 1º de novembro. O levantamento deverá oferecer novas informações sobre a evolução dos trabalhos de campo e a quantidade de algodão que ainda permanece nas lavouras.
As perspectivas de demanda externa também seguem relevantes. Até 22 de outubro, os compromissos de exportação dos Estados Unidos para a temporada 2026/27 somavam aproximadamente 5,665 milhões de fardos, volume superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, mas ainda abaixo do ritmo histórico necessário para alcançar a projeção anual de exportações do USDA.
Esse comportamento mantém a atenção sobre a capacidade de recuperação das vendas internacionais, especialmente diante da concorrência entre os principais países fornecedores.
Concorrência brasileira e movimentação dos fundos seguem no radar
Além da oferta norte-americana, o mercado acompanha a competitividade do algodão brasileiro no comércio internacional.
O Brasil permanece como um dos principais fornecedores globais de pluma, ampliando a concorrência pelas compras da indústria têxtil internacional. Segundo avaliações de mercado, as expectativas de exportações brasileiras elevadas na temporada representam um elemento adicional nas projeções de disponibilidade mundial.
Outro componente observado pelos operadores é o posicionamento dos investidores nos contratos futuros. Os dados mais recentes da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC) indicaram uma redução das posições líquidas compradas dos gestores de recursos no fim de outubro.
A diminuição da exposição comprada ajuda a contextualizar o ambiente de cautela observado nas últimas sessões, embora não seja possível atribuir a reversão desta segunda-feira exclusivamente à movimentação dos fundos.
No mercado brasileiro, as oscilações cambiais continuam influenciando a formação dos preços e a competitividade das exportações. A valorização do dólar frente ao real registrada na última semana elevou as referências de paridade de exportação, mas a concretização dos negócios também depende da demanda industrial, dos diferenciais comerciais e da disponibilidade regional da pluma.
Para os produtores brasileiros, o primeiro pregão de novembro terminou sem confirmar a recuperação ensaiada durante a manhã. O avanço da colheita dos Estados Unidos, a evolução da demanda internacional e a concorrência entre os exportadores deverão permanecer entre os principais fatores acompanhados pelos operadores nas próximas sessões.