USDA: Colheita de soja chega a 88% nos EUA e supera média histórica; milho avança para 74%, mas segue atrasado
A colheita da soja nos Estados Unidos alcançou 88% da área cultivada até o último domingo (1º), segundo o relatório semanal de acompanhamento das safras (Crop Progress), divulgado nesta segunda-feira (2) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O percentual representa avanço de nove pontos percentuais em relação à semana anterior e supera a média de 84% registrada nos últimos cinco anos para o período.
O resultado confirma a continuidade dos trabalhos de campo em ritmo superior ao histórico, ampliando a disponibilidade da oleaginosa no mercado norte-americano. Na semana encerrada em 25 de outubro, a colheita havia alcançado 79% da área.
O avanço ocorre em um momento de pressão sobre os preços futuros da soja em Chicago, que encerraram o primeiro pregão de novembro com perdas superiores a 1%. Apesar dos números expressivos de exportação divulgados recentemente pelo USDA, as perspectivas de oferta americana e o desenvolvimento da próxima safra brasileira continuam entre os principais fundamentos acompanhados pelos operadores.
Milho avança 14 pontos, mas continua abaixo da média
Para o milho, o USDA informou que a colheita chegou a 74% da área cultivada até 1º de novembro, crescimento de 14 pontos percentuais em relação aos 60% registrados na semana anterior.
Apesar da aceleração, o resultado permanece três pontos percentuais abaixo da média de 77% dos últimos cinco anos. O ritmo do milho contrasta com o da soja, que apresenta vantagem de quatro pontos percentuais sobre sua respectiva referência histórica.
A entrada da produção norte-americana continua sendo um dos fatores relevantes para a formação dos preços internacionais do cereal, especialmente depois de outubro terminar com perdas superiores a 10% nos contratos mais próximos negociados na Bolsa de Chicago (CBOT).
Nesta segunda-feira, os futuros do milho encerraram as negociações com pequenas valorizações, mas o contrato dezembro/26 não conseguiu sustentar o patamar de US$ 4,50 por bushel. Os dados atualizados de colheita acrescentam novas informações sobre o ritmo de disponibilidade da safra americana, embora o avanço dos trabalhos, isoladamente, não determine o desempenho produtivo final.
Além da oferta, os operadores continuam acompanhando a demanda internacional. As inspeções americanas de milho para exportação somaram 884.766 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro, crescimento de 38,63% na comparação semanal, mas ainda abaixo do volume observado no mesmo período do ano passado.
Trigo de inverno tem 83% da área plantada e 44% das lavouras em boas condições
No trigo de inverno, o levantamento do USDA mostrou que a semeadura alcançou 83% da área prevista, avanço de sete pontos percentuais em relação à semana anterior, quando os trabalhos estavam em 76%.
O percentual permanece ligeiramente abaixo da média histórica de 84% para o período. Já a emergência das plantas avançou de 53% para 65%, ficando exatamente em linha com a média dos últimos cinco anos.
Em relação às condições das lavouras, 38% foram classificadas como boas e 6% como excelentes, totalizando 44% nessas duas categorias. Outros 38% estavam em condições regulares, enquanto 13% apresentavam condições ruins e 5% muito ruins.
Os resultados fornecem uma referência inicial sobre o estabelecimento da safra de trigo de inverno nos Estados Unidos. O desenvolvimento das plantas durante os próximos meses, especialmente diante das condições de umidade e temperatura nas regiões produtoras, continuará sendo acompanhado pelos operadores.
Colheita do algodão chega a 63% e supera média em nove pontos
Para o algodão, o USDA informou que a colheita atingiu 63% da área cultivada até 1º de novembro, crescimento de 11 pontos percentuais em relação aos 52% contabilizados uma semana antes.
O resultado está nove pontos percentuais acima da média histórica de 54%, mostrando que os trabalhos de campo seguem mais adiantados do que o ritmo normalmente observado neste período.
O avanço da colheita ocorre em um momento de maior disponibilidade de pluma norte-americana e de atenção ao comportamento da demanda internacional. Nesta segunda-feira, os futuros do algodão em Nova York encerraram as negociações com pequenas perdas, depois de devolverem os ganhos apresentados durante a manhã.
Com o avanço dos trabalhos nas principais regiões produtoras, o mercado continuará acompanhando as condições de oferta, a qualidade do produto colhido e a capacidade de absorção da safra pelos compradores domésticos e internacionais.