Fenasucro & Agrocana 2026 debate oportunidades do etanol e da bioenergia no transporte marítimo

Publicado em 13/08/2026 15:18
Discussão ocorre em um momento de avanço dos testes com combustíveis renováveis no transporte marítimo internacional.

O avanço dos biocombustíveis como alternativa para reduzir as emissões do transporte marítimo e as oportunidades que esse movimento pode abrir para o Brasil estarão em debate nesta quinta-feira (13), durante a Fenasucro & Agrocana 2026, em Sertãozinho (SP). A feira, que segue até sexta-feira (14),  reúne representantes da cadeia de bioenergia.

O painel “Biobunkers: oportunidades para as bioenergias” será realizado das 14h15 às 15h15, no Palco 2, e terá entre os participantes Ágata Turini, CEO da Fertron, empresa brasileira especializada em soluções de automação elétrica e industrial, com forte atuação no setor sucroenergético e de bioenergia.

Etanol ganha espaço na navegação

A discussão ocorre em um momento de avanço dos testes com combustíveis renováveis no transporte marítimo internacional. Segundo relatório do primeiro trimestre de 2026 da A.P. Moller-Maersk, a companhia concluiu, no período, sua primeira navegação utilizando 100% de etanol. A experiência ocorreu depois de testes realizados em 2025 com concentrações de 10% e 50% de etanol em motores dual-fuel preparados para metanol.

De acordo com a Maersk, os testes mostraram que o etanol pode ser integrado ao mix de combustíveis e ampliaram as alternativas avaliadas pela companhia para a descarbonização de sua frota.

O movimento também vem sendo acompanhado pelo mercado internacional de biocombustíveis. Em fevereiro, a Ethanol Producer Magazine destacou os testes realizados com o navio Laura Mærsk, equipado com motor dual-fuel capaz de operar com uma mistura de 50% de etanol e 50% de metanol, como parte de uma possível nova frente de mercado para o combustível.

Nova rota de mercado para o etanol brasileiro

A entrada do etanol na matriz de combustíveis marítimos pode criar uma nova frente de demanda para a produção brasileira. Essa cadeia pode envolver desde usinas e fornecedores de combustíveis renováveis até operadores logísticos, terminais portuários, empresas de abastecimento e grandes companhias de navegação.

Para o Brasil, a oportunidade aproxima principalmente três mercados: etanol, biodiesel e transporte marítimo, abrindo espaço para novas configurações de fornecimento e comercialização dos biocombustíveis nacionais.

“O Brasil já construiu uma capacidade importante de produção de biocombustíveis em escala. Quando o transporte marítimo começa a olhar para essas alternativas, surge uma possibilidade de ampliar mercados e inserir ainda mais o país nas discussões globais sobre transição energética. Mas isso também exige olhar para competitividade, sustentabilidade, certificação, logística e infraestrutura”

A executiva avalia que o desenvolvimento desse mercado pode ampliar o papel do setor sucroenergético na transição energética, mas dependerá da capacidade de conectar produção, infraestrutura portuária, logística e requisitos internacionais de sustentabilidade.

Mercado começa a sair dos testes

As primeiras operações realizadas no Brasil mostram como essa nova cadeia pode funcionar na prática. Em 12 de julho, no Porto de Santos, CMA CGM, Copersucar e Bunker One concluíram o primeiro abastecimento com etanol de um navio porta-contêineres transoceânico no país, segundo comunicado divulgado pela Copersucar.

O CMA CGM IRON, com capacidade para 13 mil TEUs e equipado com motor tricombustível, recebeu etanol fornecido pela Copersucar. A operação também envolveu AGEO Terminais, Santos Brasil e Everllence e contou com uma estrutura logística que incluiu transporte, armazenamento e transferência do combustível até o navio por meio de barcaça especializada.

O movimento reforça uma possibilidade de diversificação para o setor sucroenergético. Além dos mercados tradicionais de etanol hidratado e anidro, o combustível pode ganhar espaço no abastecimento de frotas marítimas internacionais. Entre as rotas renováveis avaliadas para o setor estão ainda biodiesel, biometano, bio-LNG e metanol de origem renovável.

A expansão dos biobunkers também pode gerar demanda para produtos que o agronegócio brasileiro já produz em escala, como etanol, biodiesel e biometano, fortalecendo a conexão entre agro, indústria, energia e logística.

Por: Fenasucro & Agrocana
Fonte: Fenasucro & Agrocana

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