Plano de testes do E35 sairá em setembro, diz secretário durante seminário da Lei do Combustível do Futuro

Publicado em 03/09/2026 08:25
Dois anos após aprovação da legislação, setores apresentam avanços e destacam potencial dos novos combustíveis para o país

Os testes para ampliação da mistura do etanol na gasolina podem ter início neste mês de setembro. O andamento foi comemorado pelo vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que comemorou a iniciativa. “Mais uma boa notícia”, afirmou.

O motivo da celebração é o anúncio feito pelo secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Renato Cabral. Segundo ele, o plano de testes para o E35 (35% de etanol anidro na gasolina) deve ser publicado já neste mês.

“No dia 11 [de setembro], nós submeteremos à aprovação do plano de testes ao comitê técnico do CNPE [Conselho Nacional de Política Energética] e no dia 18 iremos publicar a nossa portaria do Ministério de Minas e Energia com o plano de testes para o E35 e dar início a esse trabalho robusto”, disse Cabral durante o seminário “Lei do Combustível do Futuro” realizado nesta quarta-feira (02), na Câmara dos Deputados. 

O deputado da FPA celebrou a evolução do mandato lembrando que neste mês em 2024, a Lei do Combustível do Futuro foi aprovada pelo Congresso Nacional. “Um resultado [da legislação] muito significativo já está constatado, mas nós temos perspectivas ainda mais positivas para o futuro”, avaliou. A legislação contou com a articulação e apoio da bancada, que até nos dias atuais trabalha em pautas relacionadas ao tema, como no projeto de lei complementar 114/2026, que garantiu a diferenciação dos biocombustíveis frente aos combustíveis fósseis.  

Por sua vez, o secretário também ressaltou avanços com a norma. Ele comentou que desde a aprovação, houveram crescimentos na mistura do etanol na gasolina, o que trouxe ganhos não apenas para a indústria, mas também para a economia brasileira como um todo. 

“A Lei do Combustível do Futuro trouxe para o setor de etanol uma mensagem importante que é o avanço da mistura”, destacou. E citou: “O E32 vai permitir economizar na importação de quase 1 bilhão de litros de gasolina em um ano”. 

O presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Evandro Gussi, indicou que o etanol tem demanda aquecida devido ao contexto de transição energética vivido pelos países. “Hoje o etanol é solução de curto prazo para no mínimo 30 países do mundo que vivem com estresse energético”, comentou. 

Lei do Combustível do Futuro projeta crescimento para o país
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participou da abertura do evento comemorativo. Silveira fez um histórico do Brasil nas iniciativas relacionadas à biocombustíveis e colocou como um dos marcos a Lei de Combustível do Futuro. 

“Combustível do futuro não poderia ter chegado em hora mais oportuna, porque o mundo discute a transição energética”, disse. 

Ainda sobre etanol, o presidente da Bioenergia Brasil, Mário Campos, fez um balanço com base em alguns pontos sobre os resultados alcançados com a legislação. “A gente tem várias formas de medir o sucesso de uma política pública e uma delas é analisar a capacidade produtiva. Hoje o setor de etanol está em franca expansão e muito em função das políticas públicas construídas”, pontuou. 

Representantes de outros biocombustíveis ressaltaram as expectativas com o andamento da legislação. Um dos pontos esperados e previstos na lei é o aumento gradual da mistura de biodiesel no diesel. Projeções do setor indicam que com o B25 (25% de biodiesel no diesel) em 2035, o mercado de biodiesel rodoviário seria de 20,4 bilhões de litros, praticamente o dobro da produção de hoje. 

Além disso, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estimou o impacto do uso do biodiesel em outros modais:

aquaviário:  demanda de 5,3 bilhões de litros; 
SAF (aviação): demanda entre 1,17 a 2,08 bilhões de litros.
“Isso resulta em uma demanda por óleo de soja, que hoje é de 6,8 milhões de toneladas, chegando até 17,8 milhões de toneladas, o que levaria a uma produção de 97 milhões de toneladas de farelo de soja e um esmagamento de 121 milhões de toneladas de soja. Seria uma revolução no Brasil”, enfatizou o presidente-executivo da Abiove, André Nassar. 

Outro potencial debatido no seminário foi o de biogás e biometano. De acordo com Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), o Brasil tem margem para chegar a 216 milhões de metros cúbicos por dia de biogás e 120 milhões de metros cúbicos de biometano.

A presidente da ABiogás, Josiani Napolitano, qualificou o biocombustível como “pré-sal caipira”. “Chamamos a produção de biometano do nosso pré-sal caipira, porque é um potencial incrível e tem uma capacidade enorme de transformar resíduos que são passivos ambientais em energético com grande valor agregado”, comentou. Ainda segundo ela, a Lei do Combustível do Futuro já viabilizou a implementação de pelo menos 14 plantas de produção do biocombustível.

Fonte: FPA

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