Etanol lidera queda nos preços dos combustíveis e encerra agosto 2,7% mais barato, diz Veloe/Fipe

Relação entre os preços do etanol e da gasolina comum renovou o menor nível da série histórica, ampliando a competitividade do biocombustível para veículos flex
Publicado em 01/09/2026 10:47

Os preços dos combustíveis registraram novo recuo em agosto, sob a liderança do etanol. De acordo com os dados mais recentes do Monitor de Preços de Combustíveis, elaborado pela Veloe com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), cinco dos seis produtos acompanhados pela iniciativa registraram queda em relação a julho. O movimento foi mais intenso no etanol hidratado, que ficou 2,7% mais barato e encerrou o mês a R$ 4,050 por litro, enquanto o diesel comum recuou 1,1%, a gasolina comum caiu 0,5%, a gasolina aditivada 0,4% e o diesel S-10, 0,4%. A exceção ficou a cargo do GNV, cujo preço nos postos brasileiros subiu 1,3%, para uma média de R$ 4,900 por m³.

O comportamento do etanol continua a chamar atenção não apenas pelo resultado mensal, mas especialmente pela trajetória acumulada nos últimos meses. Enquanto gasolina e diesel ainda registram altas expressivas em 2026, o biocombustível acumula queda de 9,5% no ano e de 5,1% em 12 meses. No acumulado do ano, o diesel S-10 avançou 12,4% e o diesel comum, 10,3%. Gasolina comum e aditivada acumulam altas de 6,0% e 5,6%, respectivamente. Comparativamente, a gasolina comum fechou agosto em R$ 6,654 por litro, enquanto o diesel S-10 ficou em R$ 6,949. Apesar do recuo no mês, os dois produtos permanecem significativamente mais caros do que no início do ano: o diesel S-10 acumula alta de 12,4%, a maior entre os combustíveis monitorados, e a gasolina comum, de 6,0%.

Etanol amplia competitividade em relação à gasolina

A queda do etanol reforçou sua competitividade relativa frente à gasolina. Em agosto, o litro do biocombustível equivalia a 65,6% do preço da gasolina comum na média das unidades federativas, renovando, pelo segundo mês consecutivo, o menor patamar da série histórica iniciada em 2017. Nas capitais, a relação também atingiu novo mínimo histórico, em 66,2%.

Adotando 70% como parâmetro de referência, o etanol se mostrou mais vantajoso em nove unidades da federação. Mato Grosso liderou, com uma relação de 55,6%, seguido por São Paulo (58,1%), Mato Grosso do Sul (61,8%), Goiás (61,9%) e Paraná (63,1%). Também ficaram abaixo do limite Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia e Amazonas. Em Santa Catarina, a relação entre os preços coincidiu com o parâmetro de referência (70%).

O movimento, porém, não é homogêneo no país. O etanol continua mais caro no Norte e no Nordeste, onde as médias chegaram a R$ 5,082 e R$ 4,927 por litro, respectivamente. No Sudeste, onde houve a maior queda mensal entre as regiões, de 3,3%, a média ficou em R$ 3,892.

Top 5 estados com menor preço médio do etanol em agosto:

São Paulo — R$ 3,735/litro
Mato Grosso — R$ 3,772/litro
Mato Grosso do Sul — R$ 4,078/litro
Minas Gerais — R$ 4,099/litro
Paraná — R$ 4,111/litro
Onde a gasolina comum está mais barata

Para o consumidor que opta pela gasolina comum, a diferença regional continua significativa. Em agosto, o litro custou em média R$ 6,467 no Sul e R$ 6,487 no Sudeste, contra R$ 7,130 no Norte e R$ 6,960 no Nordeste.

Top 5 estados com menor preço médio da gasolina comum em agosto:

Rio Grande do Sul — R$ 6,336/litro
Minas Gerais — R$ 6,391/litro
São Paulo — R$ 6,470/litro
Santa Catarina — R$ 6,477/litro
Paraíba — R$ 6,592/litro
Na outra ponta, Roraima apresentou o maior preço médio, de R$ 7,830 por litro, seguido por Acre (R$ 7,499), Rondônia (R$ 7,359), Amazonas (R$ 7,306) e Sergipe (R$ 7,272).

Diesel recua no mês, mas segue em alta no ano e em 12 meses

Apesar do recuo de agosto, o diesel S-10 terminou o mês a R$ 6,949 por litro, 0,4% abaixo de julho, mas ainda 12,4% acima do nível do fim de 2025. Regionalmente, o Norte manteve o maior preço médio, de R$ 7,254, enquanto o Sul registrou o menor, de R$ 6,647.

O diesel comum teve queda mais acentuada no mês, de 1,1%, para R$ 6,752 por litro. Ainda assim, acumula alta de 10,3% no ano e de 10,2% em 12 meses, de modo que o recuo mensal convive com variações acumuladas ainda positivas.

Abastecer ainda pesa mais no Norte e Nordeste

O Indicador de Poder de Compra de Combustíveis, cuja atualização se refere ao segundo trimestre de 2026, mostra que abastecer um tanque de 55 litros de gasolina comum correspondia, em média, a 6,1% da renda domiciliar. O percentual subiu 0,6 ponto percentual ante o trimestre anterior.

A distância regional é expressiva: a despesa equivalia a 9,6% da renda no Nordeste e 8,0% no Norte, contra 5,1% no Sudeste, 5,0% no Sul e 4,9% no Centro-Oeste. Entre as UFs, Acre, Maranhão e Alagoas aparecem entre os locais onde o abastecimento compromete a maior parcela da renda domiciliar.

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