Rio lidera ranking de postos de combustíveis reprovados pela ANP

Publicado em 16/09/2026 15:14
É uma fatia mais de três superior à verificada em São Paulo. São 57, superando os 40 de São Paulo.

O Rio é de longe a cidade onde há mais postos de combustível reprovados nas fiscalizações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no grupo dos 15 municípios mais populosos do país. Dos 634 postos monitorados, 9% têm nota zero na classificação da ANP.

É uma fatia mais de três superior à verificada em São Paulo. O Rio não tem nem a metade da quantidade de postos monitorados na capital paulista, mas, mesmo assim, é a cidade, entre as 15 mais populosas, que mais têm postos nota zero. São 57, superando os 40 de São Paulo.

A análise foi feita pelo GLOBO numa ferramenta lançada em julho pela agência reguladora, o app ANP Com Vc-Postos. 

O aplicativo organiza dados de resultados das ações de fiscalização da ANP, das análises de qualidade de amostras do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), que testa o etanol, a gasolina e o óleo diesel vendidos no país, e de movimentação de combustíveis declarados pelos agentes regulados.

Dados organizados com georreferenciamento

O app ANP Com Vc-Postos trata as informações com georreferenciamento. Usando o localizador do celular ou do computador, ou informando sua cidade, o usuário pode verificar quais as notas dos postos de combustível no entorno. O motorista pode verificar os postos com melhor avaliação na hora de abastecer.

Segundo a ANP, as informações reunidas na nova ferramenta já eram públicas, apresentadas no site da agência, “em diferentes páginas e painéis dinâmicos”.
16 mil ações de fiscalização em 2025

A agência faz ações de fiscalização em todo o país diariamente. Em 2025, foram 16 mil ações, segundo a ANP.

Além de núcleos regionais de fiscalização, o órgão “possui acordos de cooperação com diversos órgãos das esferas municipais, estaduais e federal, como Procons, Ministérios Públicos, órgãos de metrologia, entre outros”.

“O objetivo do aplicativo”, continua a nota enviada ao GLOBO, “é empoderar o consumidor para que faça a melhor escolha na hora do abastecimento, assim como oferecer de forma prática um importante canal de denúncias junto à ANP, inclusive aquelas relacionadas a prática de preços abusivos, contribuindo, assim, com a fiscalização”.

O aplicativo tem um botão específico para o consumidor fazer denúncias de irregularidades que tenha verificado nos postos. Além das notas, o app traz outras informações sobre os estabelecimentos, como se está vinculado a alguma rede de distribuição ou se tem “bandeira branca”.

E se o posto, mesmo estando numa rede, só recebe combustível daquela distribuidora ou se recebe de mais de um fornecedor.

Distribuidoras apoiam iniciativa

O Sindicom, entidade que representa as principais distribuidoras de combustíveis do país, como Vibra, Ipiranga e Raízen, considerou positivo o desenvolvimento do aplicativo pela ANP, com destaque para o fato de que a ferramenta dá um papel mais ativo ao consumidor na hora de escolher onde abastecer.
Isso pode ser particularmente importante para os motoristas do Rio. Segundo o Sindicom, a quantidade de postos mal avaliados pela ANP combina com outra estatística: dados da Secretaria de Estado de Fazenda do Rio mostram que 95,2% dos postos fluminenses estão em situação irregular por não informarem ou informarem de for incompleta as informações sobre compra e venda de combustíveis.

Para Augusto Salomon, presidente-executivo do Sindicom, a classificação da qualidade dos estabelecimentos no aplicativo da ANP “pode ajudar a direcionar a atenção dos órgãos competentes para situações que mereçam maior cuidado”. Isso num cenário “em que o crime organizado cria distorções e prejudicam empresas que atuam regularmente”.

Como são formadas as notas

As notas atribuídas aos postos variam de zero a 5. A fórmula de cálculo considera a quantidade de autos de infração recebidos por cada posto.

As infrações podem ser de “vício de qualidade”, quando a análise de amostras dos combustíveis vendidos nas bombas aponta falta de conformidade com as especificações, o que sugere adulteração; ou de “vício de quantidade”, quando o estabelecimento entrega ao cliente menos do que o indicado na bomba, sugerindo fraude na mediação da quantidade.

O cálculo leva em conta também o tempo. Ao longo de cinco anos, quanto mais recente as infrações, maior seu peso na nota final.

Esta reportagem faz parte do projeto Mercado Ilegal, uma realização dos jornais O GLOBO, Valor Econômico e Extra e da rádio CBN, com patrocínio da Philip Morris Brasil, do Instituto Combustível Legal, do Mercado Livre e da BAT Brasil e apoio da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) e da Aegea.
 

Por: O Globo
Fonte: O Globo

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