O discurso falacioso de Dilma (sobre a China) e "matando Laerte de tesão", por REINALDO AZEVEDO

Publicado em 25/08/2015 17:22
EM VEJA.COM

O discurso falacioso de Dilma. Ou: Modos de usar a realidade internacional

A presidente Dilma encontrou seus bárbaros: são os chineses (ler post anterior). Eles justificam a melancolia e a desordem do seu governo. Ela decidiu agora se agarrar à desaceleração da China e ao transe financeiro daquele país como tábua de salvação.

Que exóticos são esses petistas, não é mesmo? Quando se dizia que o modelo irresponsável do lulismo se aproveitava de um ciclo inédito de valorização das commodities e se acusava os companheiros de não aproveitar aquela janela para 1) modernizar a economia; 2) promover os investimentos em infraestrutura, os pançudos vociferavam: “Ah, eles não querem pobre comprando geladeira!”; “Eles não querem pobre em aeroportos”; “Eles não querem pobre no mercado de consumo”. E não paravam por aí, não.

Quando alguém se lembrava de que o modelo petista se sustentava principalmente na extraordinária expansão da China, de que as valorizações formidáveis das commodities era consequência, e aquilo não duraria eternamente, os críticos eram acusados de não reconhecer à sabedoria superior de um operário na condução da economia, muito melhor do que o acadêmico que o antecedeu.

Ou por outra: quando as circunstâncias internacionais favoreceram a irresponsabilidade petista — irresponsabilidade que, no entanto, foi muito bem remunerada em votos —, então se chamava a bonança que antecedia a melancolia de “competência”. Lula chegou a anunciar ao mundo um jeito brasileiro de ver as coisas. Em 2012, Dilma foi a fórum na França e enfiou o dedo na cara dos europeus: eles estariam errando em optar pela austeridade. Ela, ao contrário, estaria fazendo tudo certo por aqui.

Aí o leitor, sagaz como é, poderia inquirir: “Bem, Reinaldo, você foi um dos que afirmavam que o PT surfava num momento muito particular da economia mundial; logo, estaria obrigado agora a reconhecer que aquele momento não existe mais, então é consistente a justificativa segundo a qual a crise vem de fora”.

Esperta a objeção, mas errada. Eu não censuro tanto o PT do tempo das vacas gordas por aquilo que fez, mas mais por aquilo que deixou de fazer. Eu considero a realidade internacional tanto antes como agora. Eu acuso o partido de estar fazendo o país passar hoje por agruras que aí não estariam se tivesse feito a coisa certa antes. Eu trato o Brasil como um ente inserido no mundo no passado e no presente.

Foi o petismo que, até outro dia, anunciava o Brasil a ilha de prosperidade num mar de recessão para, agora, jogar nas costas da realidade internacional o peso de todos os seus erros.

Por Reinaldo Azevedo

Depois de reconhecer gravidade da crise, Dilma fala em 2016 difícil

Na VEJA.com. Comento no próximo post.
Um dia depois de assumir que demorou para reconhecer a gravidade da crise econômica no ano passado, a presidente Dilma Rousseff admitiu, na manhã desta terça-feira, que 2016 “não será um ano maravilhoso” para o Brasil. Em entrevista às rádios Morada do Sol de Araraquara e Difusora Ondas Verdes de Catanduva, região do interior de São Paulo onde cumpre agenda, Dilma culpou novamente a crise internacional, citando especificamente a que atingiu neste início de semana os mercados internacionais, em razão da turbulência no mercado chinês, e disse que não é possível prever os reflexos no mercado brasileiro.

“Espero que a situação melhore no futuro, mas não tem como garantir que 2016 será maravilhoso. Vamos continuar tendo dificuldades, até porque não sabemos a repercussão de tudo o que está acontecendo na economia internacional. Não teremos uma situação maravilhosa em 2016 [no país], mas também não será aquela dificuldade imensa que muitos pintam.”

Na rápida entrevista, concedida por telefone do Palácio do Alvorada, antes de seguir viagem para cumprir agenda em quatro cidades, Dilma frisou que a economia brasileira é forte, mas como não há controle sobre a economia de outros países, é difícil prever os reflexos de tais crises no país. “Vivemos um momento de dificuldade, em que temos de fazer ajustes na economia para voltar a crescer e é razoável que as pessoas se sintam inseguras e preocupadas com o futuro”, disse. E enfatizou: “Faço apelo para que a preocupação não se transforme em pessimismo.”

Dilma reconheceu que as pessoas estão preocupadas com o emprego e com a alta da inflação “que vem, de fato, crescendo”, mas disse que a boa notícia é que os índices inflacionários começam a cair, com um viés de baixa. “As pessoas querem resolver tudo rapidamente, nossa ideia é que as dificuldades sejam superadas o mais rapidamente possível.” E alfinetou a oposição: “Mas com gente torcendo pelo ‘quanto pior, melhor’, vai ser mais lento sair da crise.”

A presidente voltou a falar da crise nos mercados internacionais, dizendo que tivemos uma segunda-feira negra nos mercados asiáticos. “As dificuldades não são apenas no Brasil”, destacou. E disse que sua administração vem adotando as medidas necessárias para o Brasil voltar a crescer, dizendo que espera que a situação melhore rápido. “As nossas medidas já começaram [a ser implementadas], não tem como estarmos pior no futuro, porque tomamos um conjunto de medidas”, avaliou.

No início da entrevista, questionada pelo locutor sobre problemas no Minha Casa, Minha Vida na região, Dilma negou que existam falhas neste programa. “O Minha Casa, Minha Vida, do qual vamos lançar a fase três, sempre passa por aprimoramentos, estamos abertos às sugestões.” Na entrevista, ela disse ainda que seu governo vai continuar incentivando o setor sucroalcooleiro.

Por Reinaldo Azevedo

Para matar Laerte de tesão!

O/a cartunista petista Laerte resolveu associar os que pedem o impeachment de Dilma a apoiadores de chacina. Eu desmoralizei a sua leitura do mundo com a lógica e com os fatos. Parece que ele tentou me processar, mas a sua advogada deixou claro que não era o caso. Então ele resolveu se apaixonar por mim. E escreveu o seguinte texto no Facebook:

Sobre o Reinaldo Azevedo.
Acho que eu não devia dizer o que vou dizer, mas minha advogada opinou que não vai gerar ação na justiça. E minha analista deu força, pra botar pra fora senão somatiza e piora a situação das varizes.
Então lá vai – esse cara me dá um tesão desgraçado.
Não sei o que é – tá, ele não é um ogro -; se é o olhar decidido, o nariz, os lábios, não sei!
Nessas noites de frio que vem fazendo eu fico debaixo das cobertas e, como diria o Henfil, peco demais.
Vou acabar tendo que depilar a mão com cera espanhola.
Acho que eu tenho síndrome de Estocolmo platônica.

Retomo
Não fica bem Laerte exercer o sexo solitário pensando num senhor de 54 anos. Ofereço duas fotos de quanto eu tinha 20 para fazê-lo sonhar com mais colágeno, né? Afinal, masturbação não tem tempo histórico. É possível sonhar até com Robespierre e com Marat, sem as perebas. E olhe, Laerte, que eu declamava “O Programa de Transição” de cor e salteado. Vai, se acabe aí! Ah, sim: aquele senhor que aparece ao meu lado é Terenciado Speranza, meu avô materno, a melhor pessoa que conheci na vida.

 

Por Reinaldo Azevedo

A safadeza não se esconde apenas na receita dos partidos, mas também no gasto! Ou: O merchandising do esquerdismo chique da Globo

Nesta segunda, na novela Babilônia — e eu realmente a estava vendo por acaso; nada tenho contra o gênero, só contra novela ruim —, Fernanda Montenegro, que faz o papel de uma lésbica chique, humanista, consciente, rica, de esquerda, da Zona Sul, civilizada, evoluída, tolerante, bacana, culta, delicada, cheirosa, elegante, de berço, em contraste com as pessoas de direita, que, por óbvio, são o contrário de tudo isso, afirmou que iria se candidatar a deputada estadual, mas não receberia doação de empresas privadas. Só usaria na campanha verba do fundo partidário. Ah, sim, nota à margem: pouco antes, uma personagem havia dito literalmente o seguinte: “No capitalismo, tem sempre alguém vendendo alguma coisa”. É verdade. Babilônia, por exemplo, tem, além de patrocinadores, os que pagam pelo merchandising. No capitalismo, há sempre autores e autores da Globo vendendo alguma coisa, certo? O esquerdismo da maior emissora de TV do país é uma piada grotesca. Adiante.

A prestação de contas do PT — e não deve ser o único; o partido é apenas o transgressor mais moralista — está demonstrando que o problema não está apenas na prestação de contas da receita, mas também da despesa. A personagem de Fernanda Montenegro, esquerdista como é, certamente teria os gastos de campanha contabilizados por companheiros ou camaradas. Ainda que os fundos fossem públicos, quem disse que não se pode fraudar a despesa? Os episódios que Gilmar Mendes tem mandado investigar o provam à farta.

Aliás, a turminha do Lesbianismo de Libertação de Babilônia tem aquele inequívoco sotaque PSOL, que é a esquerda hoje mais influente ali pelas cercanias de Leblon, Copacabana e Ipanema. São os conscientes daquela zona cinzenta entre o jornalismo e o entretenimento que exercitam o socialismo com cobertura de frente para o mar.

Sugiro à turma que entre na área de busca do meu blog e procure ver como o tal PSOL, com seus puritanos de esquerda, tratam as verbas de campanha…

Por Reinaldo Azevedo

Mais cobras e lagartos na prestação de contas do PT

Na VEJA.com


O ministro Gilmar Mendes, relator da prestação de contas da presidente Dilma Rousseff no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enviou ao Ministério Público Estadual de São Paulo relatório técnico elaborado pelo Fisco Paulista que detectou irregularidades em uma empresa contratada pela campanha de 2014 da petista. A empresa, com nome de Angela Maria do Nascimento Sorocaba-ME, foi aberta em agosto de 2014 – a dois meses da eleição – e somente entre agosto e setembro emitiu notas fiscais no valor de 3,683 milhões de reais. Deste valor, 1,651 milhão de reais foi emitido em nome da campanha presidencial petista.

Segundo o apurado, não há nenhum destaque de impostos nas notas fiscais emitidas e não há “registro de entrada de materiais, produtos e serviços”. A empresa seria responsável por entregar produtos de publicidade, placas e faixas, além de despesas com pessoal.

A Fazenda Estadual de São Paulo não encontrou a empresa no seu endereço comercial. A proprietária da companhia foi localizada em endereço residencial e disse ter sido “orientada a abrir a empresa para funcionar no período eleitoral”. De acordo com ela, todo o material era proveniente de outra empresa, a Embalac Indústria e Comércio Ltda. O contador das duas empresas, Carlos Carmelo Antunes, disse ter aberto a segunda empresa a pedido dos sócios da Embalac “com o intuito de faturar os produtos destinados às eleições em nome de Angela, para que a Embalac não fosse desenquadrada do regime Simples Nacional”.

O relatório foi elaborado pela Fazenda Estadual paulista depois do pedido de Mendes para que o órgão verificasse indícios de irregularidades com relação à gráfica Focal Confecção e Comunicação Visual. Em ofício ao TSE, a Fazenda do Estado afirmou que precisaria de mais tempo para análise sobre a Focal “devido ao grande volume de documentos apresentados”. O órgão fazendário, no entanto, apurou a situação fiscal de outros estabelecimentos paulistas citados na prestação de contas da presidente e apontados pela assessoria técnica do TSE, entre eles a empresa Angela Maria do Nascimento Sorocaba-ME.

Diante do verificado, o ministro quer que o Ministério Público paulista apure “eventual ilícito” com relação à empresa.

Na última sexta-feira, Gilmar Mendes pediu a abertura de investigação de suposta prática de atos ilícitos. Em despacho encaminhado à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal, Mendes indica “potencial relevância criminal” na campanha petista.

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte: Blog Reinaldo Azevedo (veja.com)

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