Crise do coronavírus reduz consumo de carne e já paralisa 11 frigoríficos no País

Publicado em 04/04/2020 12:29

O impacto da crise generalizada causada pela pandemia do coronavírus também é sentido pela indústria da carne. Nesta última semana, as vendas no atacado e no varejo da carne de boi registraram queda, principalmente nos chamados "cortes nobres".

Por causa da redução no consumo de carne, três plantas frigoríficas de Mato Grosso do Sul entraram em férias coletivas nesta semana. No total, já são 11 plantas frigoríficas paralisadas em todo o País. No período de 30 de março a 3 de abril, houve desvalorização do preço da arroba do boi ao produtor em 3,5%.

As informações são da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que tem medido os impactos da pandemia na produção agropecuária e no mercado interno. O cenário reflete o fechamento de locais como restaurantes, bares e hotéis, dado que o consumo atual tem dependido, majoritariamente, do que é comprado pelo cliente doméstico.

Outra área que tem sentido o impacto é o mercado de flores e plantas ornamentais, que teve redução drástica. Para as flores, a proibição de eventos e o fechamento de floriculturas foram são as principais causas. Alguns segmentos sentem redução de até 90% do faturamento semanal.

No setor de frutas e hortaliças, o funcionamento das feiras livres contribuirá para a retomada de pequenos e médios produtores, principalmente aqueles que têm nessas feiras o principal canal de comercialização. Após duas semanas com forte alteração na demanda e preço das frutas e hortaliças, o cenário aponta para uma estabilização.

A produção e comercialização de soja e milho seguem dentro da normalidade, após preocupações com as condições logísticas. Produtos congelados continuam com alta demanda. O alto preço do milho e do farelo de soja tem preocupado produtores pecuaristas. Em 2020, o milho já acumula valorização de 18,3% no mercado interno brasileiro. Se a tendência de alta dos insumos para alimentação animal for mantida, os pecuaristas devem sofrer com margens negativas e perda de competitividade.

Internacional

A Comissão Europeia publicou, no dia 31 de março, uma medida que permite que os Estados-membros realizem controles sobre a cadeia agroalimentar de maneira mais flexível. A medida tem como objetivo impedir a propagação da doença através da circulação das equipes que trabalham em setores de controle de mercadorias, além de facilitar a circulação de animais, plantas e alimentos para dentro da União Europeia (UE). A medida é inicialmente válida por dois meses e poderá ser revisada no decorrer do avanço das ações contra a covid-19.

Na China, relatórios apontam que 88% das empresas do setor agrícola já teriam retomado suas atividades. Segundo a "National food and Strategic Reserves Administration", 97% das principais empresas nacionais de fornecimento agrícola e 63% das empresas de processamento de grãos também já teriam voltado ao trabalho.

Tags:

Fonte: Estadão Conteúdo

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Boi Gordo: Mesmo sem China, outros países dão o tom para manutenção do ritmo de exportações
Boi Gordo: Reflexos dos preços altos da no 1º semestre são sentidos agora no mercado consumidor
Boi gordo sobe para R$ 326,65 e frango mantém valorização no mercado paulista
Em Nota , entidades pecuárias se posicionam contra a incorporação de exigências da UE sobre antimicrobianos na legislação nacional
Não tem boi pronto para abate e pressão sobre arroba está próxima do fim, afirma analista
USDA reduz vendas de carne bovina para exportação em 90% em meio a dúvidas crescentes sobre os dados