Paixão e Reposição: O Retrato da Pecuária no Norte e Nordeste, Segundo Pesquisa da Comitiva HN AGRO

Publicado em 05/12/2025 05:17

A pecuária nas regiões do Pará, Tocantins e Maranhão (PA/TO/MA) é movida por um forte senso de paixão e tradição, mas enfrenta grandes desafios, com a reposição de animais liderando as preocupações dos produtores para 2026. Esta é a principal conclusão de uma pesquisa realizada pela Comitiva HN AGRO durante eventos realizados em Marabá-PA, Araguaína-TO e Imperatriz-MA nos dias 10, 11 e 12 de novembro.

A Comitiva HN AGRO, que reuniu diversos parceiros para discutir as expectativas do mercado de corte e grãos, utilizou a pesquisa para traçar um perfil produtivo e de expectativas da atividade na primeira rota.

Reposição: O Maior Desafio para 2026

No cenário geral da pesquisa, 53,6% dos produtores acreditam que a reposição estará entre os grandes desafios do próximo ano, destacando-se em primeiro lugar em todos os estratos analisados. A incerteza política para 2026, por sua vez, ficou em segundo plano, sendo superada pela preocupação com a reposição, exceto no grupo de produtores com mil a cinco mil cabeças, onde as preocupações empataram.

Os preços de venda foram a menor frequência entre as preocupações apontadas. A pesquisa também apontou uma baixa utilização de ferramentas de garantia de preços (hedge). Considerando todos os entrevistados, a não utilização de hedge ultrapassou 90%. No grupo de até mil cabeças, nenhum produtor respondeu positivamente ao uso de hedge. Apenas nas operações acima de cinco mil cabeças é que o uso de instrumentos como venda a termo/parceria, opções e contratos futuros atinge 18,2%.

Perfil do Produtor: Predomínio da Cria e Ciclo Completo

A maior parte da amostra é composta por produtores com até mil hectares de área total (54%) e que trabalham com rebanhos de até mil cabeças (55%). Em relação aos sistemas de produção, no cenário geral, a cria e o ciclo completo apareceram como os mais frequentes, ambos com 34% da adesão dos entrevistados. A recria tradicional segue com 32%. * Pequenos Produtores (até 1.000 cabeças): A cria é o sistema mais frequente (42%), seguida pela recria tradicional (29%) e ciclo completo (26%). * Grandes Produtores (acima de 5.000 cabeças): Há uma clara intensificação, com a maior frequência de confinamento (64%) e ciclo completo (55%).

Tecnologia e Aditivos: Monensina em Destaque

A pesquisa sobre o uso de tecnologias revelou uma adoção crescente conforme o aumento da faixa de rebanho, o que se alinha à literatura sobre adoção de tecnologia relacionada à receita da propriedade.

* A internet via satélite (78,6% no geral) e a balança eletrônica (58,9%) são as mais presentes.

* A utilização de drones para pulverização é notavelmente alta (73,2% no geral), com a ressalva de que o resultado pode ser influenciado pela prestação de serviços. Quanto ao uso de aditivos, a monensina foi a mais utilizada em todas as faixas de rebanho.

* Em produtores com mais de cinco mil cabeças, a monensina atinge 91% de uso.

* Enquanto 42% dos produtores com até mil cabeças não usam aditivos, todos os produtores no grupo acima de cinco mil cabeças relataram utilizar algum tipo de aditivo.

Paixão" é a Palavra-Chave da Continuidade

Mesmo diante de desafios como a reposição e a baixa adesão ao hedge, a pesquisa buscou entender a principal motivação para o investimento contínuo na pecuária. Entre os termos citados nas respostas dos produtores, a palavra "paixão" se destacou. As motivações foram agrupadas em três grandes conceitos:

* "Trabalho com pecuária por paixão e tradição": Envolve a tradição familiar, o amor, a fé e o gosto pela produção. * "A pecuária é um bom negócio": Reflete a visão da atividade como algo capaz de gerar um equilíbrio interessante entre segurança e retorno.

* "A pecuária responde bem à tecnologia e tem potencial para ir além": Está ligada à lógica do negócio, rentabilidade, liquidez e potencial de crescimento com gestão e estratégia.

A paixão, portanto, é a força que move e sustenta gerações de produtores, reforçando o papel da atividade como um pilar econômico e de vida para a região.

Fonte: HN Agro

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