Receita recorde e custos mais controlados projetam margem histórica para o confinamento no fim de 2026, aponta Cepea
O confinamento de bovinos caminha para encerrar 2026 com uma das melhores relações entre custos e receita dos últimos anos. Levantamento divulgado na última sexta-feira (11) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Tortuga/DSM, aponta a possibilidade de lucro histórico para os animais comercializados no final do ano, sustentado principalmente pela valorização do boi gordo.
O estudo considera um macho inteiro Nelore com peso de entrada de 375 quilos e saída com 540 quilos, rendimento de carcaça de 55% e permanência de 105 dias no confinamento. A simulação adota nível básico de tecnologia nutricional.
Pelos parâmetros utilizados, o animal termina o ciclo com aproximadamente 19,8 arrobas de carcaça. Na parte futura do levantamento, a receita é projetada com base nos contratos do boi gordo negociados na B3.
O gráfico do Cepea mostra que a receita por animal pode superar R$ 7,3 mil nos lotes vendidos em novembro. Já o custo total, incluindo a aquisição do boi magro, alimentação e demais despesas operacionais, fica próximo de R$ 6,2 mil por cabeça.
Com isso, a margem projetada se aproxima de R$ 1,2 mil por animal. Os valores são aproximados, uma vez que o informativo apresenta a evolução dos resultados em formato gráfico.
Valorização do boi gordo amplia a margem
A perspectiva favorável não ocorre porque os custos do confinamento recuaram de forma expressiva. A compra do boi magro, principal componente do desembolso, continuou avançando ao longo de 2026. Os gastos com dieta e as demais despesas operacionais também permanecem relevantes.
O principal fator de melhora é a valorização mais intensa da receita. A linha do faturamento projetado sobe com maior força na segunda metade do ano e amplia a diferença em relação ao custo total da operação.
Essa relação é importante porque o confinador trabalha com duas pontas: compra um animal mais leve, normalmente caro, e precisa vendê-lo meses depois por um preço que cubra o boi magro, a alimentação, os custos financeiros e as demais despesas da engorda.
Em 2026, a valorização esperada para o boi gordo vendido no final do ciclo estaria superando o crescimento dos custos, abrindo uma margem que não aparece com a mesma intensidade em outros momentos da série iniciada em 2018.
Cenário contrasta com as margens apertadas dos últimos anos
O histórico apresentado pelo Cepea mostra que o confinamento passou por situações bem diferentes ao longo dos últimos oito anos.
Em 2021, por exemplo, os custos avançaram fortemente e chegaram a encostar ou até superar a receita em alguns períodos. A alta do boi magro e da alimentação reduziu a viabilidade econômica da atividade, mesmo com o boi gordo negociado em valores elevados.
Entre 2022 e 2023, a receita perdeu força, enquanto os custos demoraram mais para recuar, mantendo as margens pressionadas. A recuperação começou a ganhar consistência a partir do segundo semestre de 2024, quando o preço do boi gordo voltou a subir.
Em 2025, custos e faturamento avançaram de maneira mais equilibrada. Já em 2026, a receita se descolou das despesas e atingiu o maior patamar nominal da série analisada.
Resultado depende da estratégia de cada confinamento
Embora o cenário indicado pelo Cepea seja positivo, a margem apresentada não representa um lucro garantido para todos os confinadores. O resultado de cada propriedade depende do preço pago pelo boi magro, do custo da dieta, do ganho médio diário, da conversão alimentar, do período de permanência e do peso efetivamente entregue ao frigorífico.
Proteção do preço continua essencial
O levantamento reforça a importância do planejamento e da gestão de risco. Como boa parte da margem projetada depende do preço futuro do boi gordo, o confinador pode utilizar contratos a termo, ferramentas da B3 ou outras modalidades de proteção para assegurar pelo menos parte da remuneração indicada atualmente.
A expectativa de lucro histórico torna o confinamento mais atrativo e pode estimular a colocação de animais nos cochos. Entretanto, uma expansão mais forte da oferta de bovinos terminados também pode aumentar a pressão sobre as cotações no período de saída dos lotes.
Assim, 2026 apresenta uma janela especialmente favorável para a terminação intensiva, mas o melhor resultado deve ficar com os pecuaristas que conseguiram combinar compra eficiente do boi magro, controle da dieta, bom desempenho zootécnico e proteção antecipada do preço de venda.
Com auxílio de IA