Femagri 2014: Perdas do café com a seca e avanço dos preços são destaque no primeiro dia entre produtores

Publicado em 12/02/2014 17:24 e atualizado em 14/02/2014 11:40

O Notícias Agrícolas está na 13ª Femagri - Feira de Máquinas, Implementos e Insumos Agrícolas - em Guaxupé, no Sul de Minas Gerais, que começa nesta quarta-feira (12). O assunto mais debatido no momento é a seca que castiga os cafezais do estado e a preocupação dos produtores com o clima e os impactos que as condições causarão não só nessa safra, mas como também na seguinte. 

Segundo Eder Ribeiro dos Santos, engenheiro agrônomo e coordenador do Departamento de Geoprocessamento da Cooxupé, a situação da seca é bastante séria no estado já que boa parte das lavouras se encontram em fase de granação, onde a presença da água é determinante para o desenvolvimento das plantas. As temperaturas nesse ano estão acima do registrado no mesmo período do ano passado e também acima da média histórica. 

Enquanto em janeiro de 2014 a temperatura média em Campos Gerais, por exemplo, foi de 25,4°C, em 2013 foi de 23,2°C e em 2012, 23,2ºC. Além disso, o armazenamento de água no solo na mesma região também está bem abaixo do que em relação a um comparativo com os anos de 2011, 2012 e 2013. Em janeiro de 2014, o índice de armazenamento era de apenas 36,4%, enquanto nos dois anos anteriores esse valor era de 100%. Dessa forma, o déficit hídrico acumulado era, no mês passado, de 37,5%, contra nenhum déficit em 2013 ou 2012.     

Essas condições climáticas desfavoráveis já resultam em perdas severas de produtividade em muitas regiões produtoras, pois compromete o enchimento do grãos e, em Guaxupé, por exemplo, as perdas da safra podem variar de 10 a 20%, segundo Mário Guilherme do Valle, presidente do Sindicato Rural do município. "Nós nunca vimos um tempo como esse", disse. De acordo com o engenheiro agrônomo da Cooxupé, não há um quadro climático como esse desde a década de 60 e, ainda assim, naquela época choveu o dobro do registrado em 2014. 

As perdas, no entanto, são diferentes em cada região e variam de acordo o tipo de cultivo e condições como tipos de solo, terreno, entre outros fatores. Ainda assim, frente à essa estiagem, a produção estimada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) entre 47 milhões a 51 milhões de sacas não deverá ser concretizada, naopinião de Mário Guilherme. 

Essa ameaça à produção do Brasil, maior produtor mundial de café, portanto, já tem refletido nos preços no mercado internacional. Só em 2014, o vencimento março/14, o mais negociado nesse momento, já subiu 40% na Bolsa de Nova York, revertendo boas partes das perdas registradas no ano passado, quando as cotações recuaram expressivamente. 

O mercado do café, é claro, também é um assunto bastante debatido e comentado na 13ª Femagri. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Guaxupé, esse deve ser um momento de muita cautela para o produtor rural. E preciso acompanhar as movimentações do mercado internacional, o reflexo para os preços no mercado interno e ponderar suas operações, visando sempre concluir boas oportunidades de comercialização. Como explicou Mário Panhota, Gerente Comercial de Mercado Interno da Cooxupé, Mário Panhota, "ainda não se sabe o tamanho real do problemas e por isso o produtor deve esperar e observar para não perder bons negócios". 

Apesar dessa recuperação dos preços, a preocupação dos produtores que visitam a Femagri esse ano também é o tamanho da oferta que terão para comercializar. O cafeicultor que tinha percepção de colheita de tres mil sacas a 300,00 - 900 mil, se quebrar 30% - vai colher 2 mil sacs se o café for a 400,00 - que ainda não chegou - vai faturar 800 mil, vai pagar colheita mais cara e vai faturar quase 15% a menos.


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Por: e Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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