Mercado de café mantém forte volatilidade entre incertezas climáticas e cautela do produtor

Diretor do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes, analisa os fatores que sustentam as oscilações em Nova York e a postura estratégica dos cafeicultores brasileiros.
Publicado em 02/10/2026 10:47
Eduardo Carvalhaes
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Café continuará sentindo altas e baixas fortes e produtor segue cauteloso na comercialização no Brasil

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O mercado do café encerra mais uma semana marcada por intensa volatilidade nas cotações internacionais nas bolsas de Nova York e Londres. Em entrevista ao programa Bom Dia Agronegócio, Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, destacou que a combinação de estoques globais reduzidos, consumo crescente, instabilidades geopolíticas e severas adversidades climáticas segue ditando o ritmo das oscilações de preços, exigindo postura cautelosa dos cafeicultores brasileiros na comercialização.

Segundo Eduardo Carvalhaes, o mercado cafeeiro opera há alguns anos sob uma margem estreita entre o volume produzido no mundo e o consumo global. Enquanto a demanda se mantém aquecida — com projeções da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) indicando avanço superior a 2% ao ano no consumo interno —, a produção mundial enfrenta sucessivas dificuldades para recompor os estoques.

"Nós temos uma situação no mercado cafeeiro já há alguns anos de um equilíbrio muito precário entre a produção mundial e o consumo mundial que vai bem, o consumo vem crescendo", pontuou Carvalhaes. Além disso, a interferência de fundos de investimento com rápida movimentação de capitais e o uso de inteligência artificial nas bolsas acentuam as oscilações diárias.

O analista ressaltou que o cenário macroeconômico externo também pressiona as cotações. Conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia afetam rotas de transporte marítimo, encarecem o petróleo e elevam os custos de fertilizantes e defensivos agrícolas. Somam-se a isso as incertezas institucionais e econômicas internas no Brasil, que elevam a aversão ao risco no campo.

Diante de comentários sobre a lotação de armazéns no Brasil neste período pós-colheita, Carvalhaes enfatizou que esse é o comportamento natural do ciclo produtivo. "Se os armazéns não estivessem cheios nessa época do ano, seria uma tragédia para o mundo. O café que nós colhemos vai abastecer mais de 35% do mercado mundial até junho do ano que vem", explicou.

O especialista desmistificou a ideia de que os cafeicultores estariam retendo vendas de forma excessiva. Segundo ele, os dados de exportação e do mercado doméstico comprovam o fluxo constante de comercialização: foram cerca de 4 milhões de sacas embarcadas em agosto, volume semelhante esperado para setembro, além do abastecimento de aproximadamente 1,7 milhão de sacas mensais para a indústria nacional. O produtor tem comercializado de maneira escalonada para honrar custos operacionais sem recorrer a endividamentos bancários sob juros elevados.

Outro ponto crítico levantado foi a escassez de cafés de alta qualidade. Chuvas fora de época durante a colheita provocaram queda de grãos e perdas qualitativas em diversas regiões. Esse cenário reflete diretamente nos estoques certificados de Nova York, que permanecem em níveis historicamente baixos.

Para a safra 2024/25, permanecem dúvidas sobre o pegamento das floradas e os impactos do calor no verão do Hemisfério Sul. "Nós não vamos ter sossego nem com a entrada da safra do ano que vem. Esse clima vai continuar atrapalhando", alertou Carvalhaes.

Apesar das incertezas a curto prazo, Carvalhaes manifestou otimismo com a transformação estrutural da cafeicultura brasileira. Destacou o avanço da rastreabilidade, das indicações geográficas e da sustentabilidade, impulsionados pela entrada de novas gerações na gestão das propriedades rurais com maior preparo técnico e foco na qualidade.

* Com auxílio de IA

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