Café: Bolsas fecham com mais de 2% de queda e preços no Brasil abaixo dos R$ 2mil/sc
A semana foi volátil e a sexta-feira (6) muito negativa para os preços do café arábica na Bolsa de Nova York. O mercado terminou o pregão com perdas de mais de 2% nas posições mais negociadas - com perdas de 720 a 1185 pontos -, o que levou o março a fechar com 296,55 cents de dólar por libra-peso, e o maio com 289,30.
O peso ainda vem, principalmente, das expectativas de uma boa safra no Brasil, com condições de clima que segue favorecendo a conclusão do atual ciclo nas principais regiões produtoras. Há problemas pontuais, porém, não fortes o bastante para motivar uma mudança na projeção de oferta entre os traders.
A primeira estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para a safra 2026, divulgada nesta quinta-feira (5), veio em 66,2 milhões de sacas, um aumento de 17,1% em relação ao ciclo anterior.
"Em ano de bienalidade positiva, o crescimento previsto é influenciado pelo incremento de 4,1% na área em produção em relação a 2025, estimada em 1,9 milhão de hectares na atual temporada, algo esperado para o ciclo. Além disso, as condições climáticas mais favoráveis registradas ao longo do ciclo da cultura e a adoção de tecnologias e boas práticas de manejo nas lavouras influenciam em uma melhora na produtividade, que também deve registrar uma elevação de 12,4% em relação à safra passada, sendo esperada uma colheita de 34,2 sacas por hectare", informou o reporte da consultoria.
Nas últimas sessões, as cotações do arábica testaram suas mínimas em seis meses no mercado futuro norte-americano, sentindo a pressão de oferta brasileira, das boas previsões climáticas e das incertezas em relação à demanda. Ainda assim, a balança desequilibrada entre estoques x consumo mantém o mercado nas bolsas muito vulneráveis à intensa volatilidade, como tem sido observado nos últimos dias.
ROBUSTA TAMBÉM RECUA EM LONDRES
As perdas do café robusta na Bolsa de Londres também foram fortes nesta sexta-feira, superando os 2% nos contratos mais negociados - ou de US$ 67,00 a US$ 81,00 por tonelada. O março encerrou o pregão valendo US$ 3755,00/t e o maio a US$ 3668,00.
Além de acompanhar o arábica, segundo explicam analistas e consultores internacionais, o mercado é também pressioado pelos estoques um pouco maiores no Vietnã, onde a produção também deverá ser 6% maior em relação à temporada anterior, alcançando 29,4 milhões de sacas, a maior em quatro anos.
PREÇOS PRESSIONADOS NO BRASIL
No Brasil, o dia também foi negativo. Ao lado das perdas nas bolsas, o dólar fechou o dia em queda frente ao real, fechando a porta para possíveis respiros dos indicadores no mercado nacional. A moeda americana terminou o dia com R$ 5,22.
Para o cereja descascado, em Guaxupé/MG, a baixa foi de 2,53% para R$ 1926,00 por saca, enquanto em Varginha, o valor cedeu 2,03% para R$ 1945,00. No tipo 6 bebida dura, as perdas chegaram a 4,1% em algumas praças, como foi o caso de Franca, em SP, para R$ R$ 1870,00.
"O mercado físico brasileiro permaneceu quieto, praticamente sem negócios fechados. Os cafeicultores brasileiros não mostram disposição de venda nas bases oferecidas pelo mercado. Há interesse comprador para todos os padrões de café", afirma o diretor do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes.