Clima irregular reduz potencial do arábica no Sul do Espírito Santo
O Sul do Espírito Santo apresenta menor potencial produtivo para o café arábica na safra 2026, segundo avaliação da StoneX. De acordo com João Pena, técnico de pesquisa de campo da consultoria, o clima desfavorável durante a pré-florada e a florada comprometeu parte do desenvolvimento das lavouras na região.
Em visita técnica para a segunda estimativa da safra, Pena observou que a combinação entre temperaturas elevadas, irregularidade de chuvas no período crítico e decisões de manejo influenciadas pelos bons preços do café, como o adiamento das podas, impactou negativamente o potencial produtivo. Apesar disso, a produção do Espírito Santo deve superar a registrada no ciclo anterior, ainda que permaneça abaixo do que a região poderia alcançar em um cenário climático mais favorável.
O Espírito Santo é tradicionalmente reconhecido pela produção de conilon, mas o arábica cultivado principalmente na região sul do estado também tem relevância, sobretudo em áreas de maior altitude. Nos últimos anos, a cafeicultura capixaba tem investido em manejo, irrigação e renovação de lavouras, buscando ganhos de produtividade e qualidade.
Sul de Minas tem revisão positiva, mas enfrenta limitações
Após a primeira estimativa da safra no Sul de Minas, a equipe da StoneX revisou positivamente os números para a principal região produtora de arábica do país. Segundo João Pena, a produção deve superar a projeção inicial, mesmo diante dos impactos climáticos ao longo do ciclo.
Ainda assim, problemas como áreas improdutivas, abortamento de flores e queda de frutos limitaram o enchimento dos grãos e o potencial produtivo em parte das propriedades. Esses fatores impedem que a safra atinja seu máximo potencial, especialmente em talhões que sofreram com estresse hídrico durante fases decisivas.
Minas Gerais responde por mais da metade da produção brasileira de café arábica, com destaque para o Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Zona da Mata. Oscilações climáticas nessas regiões têm reflexo direto na oferta nacional e, consequentemente, nas cotações internacionais.
Brasil segue como referência global
O Brasil permanece como maior produtor e exportador mundial de café, com predominância do arábica. Em um contexto de preços historicamente elevados nos últimos ciclos — impulsionados por quebras produtivas em importantes origens e por restrições logísticas — produtores brasileiros intensificaram tratos culturais e postergaram decisões como podas mais drásticas, buscando aproveitar o momento favorável do mercado.
No entanto, especialistas alertam que o manejo voltado apenas para o curto prazo pode comprometer o equilíbrio produtivo das plantas nas próximas safras, especialmente em um cenário de maior frequência de eventos climáticos extremos.
A segunda estimativa da StoneX reforça que, embora a safra 2026 de arábica deva superar a anterior em algumas regiões, o potencial pleno das lavouras não foi atingido. O desempenho final dependerá, agora, das condições climáticas até a colheita e do comportamento do mercado nos próximos meses.