Café abre em alta com tensão no petróleo, mas preços no Brasil seguem pressionados pela safra

Publicado em 23/04/2026 09:59 e atualizado em 23/04/2026 10:34
Bolsas sobem com cenário externo, enquanto média de preços no físico recua e trava decisões no campo

O mercado futuro do café iniciou esta quinta-feira (23), em alta nas bolsas internacionais, refletindo um ambiente de maior cautela global diante das tensões no Oriente Médio e seus impactos sobre o petróleo. Ainda assim, no Brasil, o cenário segue mais pressionado com a evolução da safra. 

Na Bolsa de Nova York, o café arábica abriu em valorização. O contrato julho/26 é cotado a 293,05 cents/lb, com alta de 390 pontos. O setembro/26 opera em 281,85 cents/lb, com ganho de 345 pontos. Já o dezembro/26 é negociado a 273,25 cents/lb, com valorização de 305 pontos.  

Na ICE Europa, o robusta também avança. O contrato maio/26 é cotado a US$ 3.613 por tonelada, com alta de 74 pontos. O julho/26 opera em US$ 3.439 por tonelada, com ganho de 35 pontos. O setembro/26 sobe para US$ 3.354 por tonelada, com valorização de 26 pontos. Já o novembro/26 aparece em US$ 3.282 por tonelada, com alta de 25 pontos.

O suporte externo vem do aumento das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, o que mantém o petróleo em alta e eleva o nível de cautela nos mercados globais. Esse cenário tende a sustentar as commodities, incluindo o café, ao elevar custos logísticos e aumentar a percepção de risco.

No entanto, olhando para dentro do Brasil, os fundamentos seguem apontando pressão sobre os preços, principalmente no mercado físico. Dados do Cepea mostram que a média parcial de abril para o robusta tipo 6 no Espírito Santo está em R$ 903,90 por saca, a menor desde março de 2024 em termos reais e mais de 11% abaixo de março deste ano.

Para o arábica, o indicador também apresenta recuo. A média parcial em São Paulo gira em torno de R$ 1.824,91 por saca, queda de cerca de 4,6% frente a março e o menor patamar desde julho de 2025.

Segundo o Cepea, a pressão vem do avanço da colheita, que aumenta gradualmente a oferta disponível, especialmente no robusta, cujo ritmo tende a ganhar força nas próximas semanas.

Esse movimento ajuda a explicar o descolamento entre bolsas e mercado interno. Enquanto o cenário externo sustenta as cotações, o produtor brasileiro enfrenta um ambiente mais desafiador, com preços pressionados e decisões mais cautelosas de venda.

Além disso, fatores macroeconômicos seguem no radar. A alta do petróleo, combinada com incertezas geopolíticas e indicadores econômicos globais, contribui para um ambiente mais volátil nas commodities.

A abertura desta quinta-feira mostra um mercado dividido. De um lado, fatores externos dão suporte aos preços. Do outro, a realidade da safra brasileira impõe limites. Para o produtor, o momento exige estratégia, já que a combinação entre bolsa firme e físico pressionado torna a decisão de comercialização ainda mais complexa.
 

Por: Priscila Alves I Instagram: @priscilaalvestv
Fonte: Notícias Agrícolas

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