Café abre em alta forte e reacende alerta: mercado reage com força enquanto oferta segue travada no Brasil

Publicado em 24/04/2026 10:08 e atualizado em 24/04/2026 11:02
Com arábica acima dos 300 cents/lb e robusta avançando em Londres, mercado ganha suporte de estoques apertados, clima e ritmo lento de vendas no Brasil


O mercado de café inicia esta sexta-feira (24), com forte recuperação nas bolsas internacionais, refletindo um conjunto de fundamentos que seguem sustentando os preços sob a ótica do produtor brasileiro. A abertura mostra reação consistente tanto para o arábica em Nova York quanto para o robusta em Londres, em um movimento que reforça o cenário de oferta restrita no curto prazo.

Na ICE Futures US, o café arábica opera em alta. O contrato maio/26 é cotado a 317.05 cents/lb, com avanço de 70 pontos. O julho/26 sobe para 304.25 cents/lb, com ganho de 390 pontos. Já o setembro/26 avança para 292.80 cents/lb, com alta de 445 pontos.

Em Londres, o robusta também abre em valorização. O contrato maio/26 é negociado a 3.761 dólares por tonelada, com alta de 69 pontos. O julho/26 sobe para 3.561 dólares por tonelada, com ganho de 54 pontos. O setembro/26 avança para 3.472 dólares por tonelada, com alta de 51 pontos.

O movimento de alta acontece após uma semana de forte volatilidade, mas encontra sustentação em fundamentos que seguem ativos no Brasil. Dados recentes indicam que os estoques certificados de arábica continuam em patamares historicamente baixos em comparação ao ano passado, mantendo o mercado sensível a qualquer sinal de aperto na oferta.

Além disso, o fluxo físico segue travado. No mercado brasileiro, produtores continuam capitalizados após os preços elevados ao longo da safra e mantêm postura firme nas vendas, liberando volumes de forma pontual. Esse comportamento reduz a disponibilidade imediata e sustenta as cotações, mesmo diante de oscilações nas bolsas.

Outro ponto relevante é o clima. A previsão de tempo seco e temperaturas elevadas em áreas produtoras do Sudeste mantém o mercado atento, especialmente neste período de transição para a colheita. Embora não haja, neste momento, confirmação de perdas produtivas, o padrão climático reforça a cautela dos agentes e limita apostas mais agressivas de baixa.

No robusta, o cenário também segue ajustado. A recuperação recente ocorre após o mercado ter testado mínimas importantes, e agora reflete uma recomposição técnica combinada com fundamentos ainda apertados, principalmente no Brasil, onde a oferta segue restrita até a entrada mais consistente da nova safra.

No mercado físico, a alta externa tende a trazer suporte aos preços internos, mas o ritmo de negócios ainda depende da disposição do produtor. Há demanda ativa por parte da indústria e exportadores, mas os volumes fechados seguem abaixo do necessário, evidenciando um mercado ainda desequilibrado entre oferta e procura.

Para o produtor rural brasileiro, o momento é de atenção redobrada. A combinação de estoques baixos, clima monitorado e retenção de vendas mantém o mercado sensível e volátil, abrindo oportunidades, mas exigindo estratégia na comercialização diante de movimentos rápidos nas bolsas.

Por: Priscila Alves I Instagram: @priscilaalvestv
Fonte: Notícias Agrícolas

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