Café adulterado na mira: operação fecha empresas, apreende 82 toneladas de produtos irregulares e expõe esquema que ameaça consumidores

Publicado em 02/06/2026 09:08
Fiscalização em sete estados e no Distrito Federal interditou quase um terço dos estabelecimentos vistoriados; produtos continham indícios de fraude e uso de matérias-primas estranhas ao café

Uma grande operação nacional contra fraudes na cadeia do café resultou na apreensão de mais de 82 toneladas de produtos irregulares, na interdição de 19 estabelecimentos e acendeu um novo alerta sobre os riscos do chamado "café adulterado" que chega às prateleiras brasileiras.

A ação, realizada entre os dias 25 e 28 de maio, reuniu o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Procon-MG, além de Procons estaduais e municipais. O objetivo foi combater a distribuição e comercialização de cafés torrados e moídos com indícios de irregularidades.

Ao todo, foram realizadas 84 fiscalizações em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraná, Espírito Santo e Distrito Federal. O resultado chamou atenção: quase um terço dos locais vistoriados foi interditado. As equipes apreenderam 5.944 quilos de café torrado e moído e outros 76.070 quilos de matérias-primas utilizadas na produção do produto, totalizando mais de 82 toneladas retiradas de circulação.

Em Minas Gerais, fiscais do Procon-MPMG atuaram nos municípios de Ervália e Viçosa, na Zona da Mata. Além das inspeções em indústrias, os Procons também fiscalizaram supermercados para identificar e retirar do mercado produtos suspeitos de adulteração.

Segundo o Mapa, a fiscalização segue os critérios definidos pela Portaria SDA/Mapa nº 570/2022, que estabelece os padrões oficiais de identidade e qualidade para o café torrado. A legislação determina requisitos de classificação, rotulagem, amostragem e apresentação do produto oferecido ao consumidor.

As irregularidades investigadas envolvem a possível adição de ingredientes estranhos ao café, como cascas, paus, resíduos e outras matérias-primas de menor valor comercial. A prática reduz artificialmente os custos de produção e engana o consumidor, que acredita estar comprando café puro, quando na realidade pode estar adquirindo um produto diferente daquele informado na embalagem.

Além do prejuízo econômico, as autoridades destacam os riscos à saúde pública. Matérias-primas inadequadas e produtos de baixa qualidade podem conter impurezas, resíduos e contaminantes, além de favorecer a proliferação de microrganismos em condições inadequadas de armazenamento e processamento.

A operação também contou com apoio técnico da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), que colaborou com denúncias e informações utilizadas pelos órgãos fiscalizadores. Segundo o Ministério da Agricultura, parte das investigações teve origem em monitoramentos de mercado e registros realizados por consumidores por meio da plataforma Fala.BR.

O governo federal reforçou que os produtos apreendidos não representam a qualidade do café brasileiro, reconhecido internacionalmente, mas sim casos isolados de irregularidades que prejudicam tanto os consumidores quanto as empresas que atuam dentro da legalidade.

Nos últimos meses, a preocupação com fraudes e falsificações no setor ganhou força. A própria ABIC tem intensificado campanhas de conscientização e orientado consumidores a verificarem a procedência dos produtos, desconfiando de preços muito abaixo da média do mercado e conferindo certificações de qualidade e pureza.

A entidade também mantém canais específicos para recebimento de denúncias sobre produtos suspeitos de fraude ou adulteração. O objetivo é ampliar o combate às irregularidades e proteger a credibilidade de uma das cadeias produtivas mais importantes do agronegócio brasileiro.

As ações de fiscalização devem continuar. De acordo com os órgãos envolvidos, uma nova operação nacional já está prevista para junho e deverá abranger outros produtos de origem vegetal comercializados no país. A expectativa é ampliar o cerco contra fraudes alimentares e reforçar a proteção aos consumidores brasileiros.

Informações foram divulgadas pelo Ministério da Agricultura, Procon-MG e pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).
 

Por: Priscila Alves I instagram:@priscilaalvestv
Fonte: Notícias Agrícolas

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