Cafeicultura movimenta mais de R$ 3 bilhões em defensivos na safra 2025-26, com alta de 22% e recorde histórico
Principal empresa do mercado de pesquisas para o agronegócio, a Kynetec Brasil acaba de divulgar seu levantamento FarmTrak Café da safra 2025-26. Os dados apontam que a cafeicultura movimentou R$ 3,3 bilhões em defensivos agrícolas no período, uma elevação de 22% ante o ciclo 2024-25 (R$ 2,67 bilhões). A cifra marca um recorde dentro da série histórica da consultoria, segundo o especialista em pesquisas Felipe Abelha.
De acordo com o executivo da Kynetec, a área potencial tratada ou PAT (indicador que compreende a somatória de todas as aplicações de produtos feitas na safra), chegou a 42,8 milhões de hectares de café, contra 35,3 milhões de hectares de 2024-25 (+22%).
Conforme Abelha, a cafeicultura registrou crescimento em praticamente todos os indicadores tecnológicos de manejo fitossanitário na temporada 2025-26.
“Após uma sequência de safras sem ampliação significativa de área cultivada, a cultura teve expansão de 4% na comparação a 2024-25, para 2,186 milhões de hectares”, adianta Abelha. A pesquisa da Kynetec, ele acrescenta, observou ainda aumento de 17% no número médio de tratamentos realizados pelos produtores de café em 2025-26: de 16,9 para 19,8.
Crescimento robusto de inseticidas e nematicidas
O FarmTrak Café 2025-26 traz o segmento de fungicidas (foliares e cúpricos), novamente, no topo do mercado, com R$ 973 milhões em negócios, equivalentes a 29% do total. Esse valor ultrapassou em 25% o montante de R$ 775 milhões apurado nas transações envolvendo produtos do gênero na safra anterior.
De acordo com Felipe Abelha, a adoção dos chamados fungicidas ‘premium’ se intensificou no último ciclo, saindo de 21%, em 2024-25, para 38%. Os mesmos produtos também avançaram em número médio de tratamentos, de 1,45 para 1,65. “Este foi o subsegmento de maior expansão na categoria de fungicidas”, enfatiza o executivo.
Entretanto, destaca Abelha, o segmento de inseticidas, segundo no ranking de defensivos para o café, aparece na pesquisa da Kynetec como o principal gatilho face ao resultado geral do mercado. A categoria cresceu 30% comparativamente ao ciclo 2024-25, para R$ 760 milhões, correspondentes a 23% das transações totais. Anteriormente, eram R$ 580 milhões. “Em valores absolutos, inseticidas foi o segmento que mais expandiu, com incremento superior a R$ 210 milhões”, observa Abelha.
Conforme o executivo, a disparada dos inseticidas se explica, sobretudo, pelo aumento de 30% na intensidade de manejo das duas principais pragas do café brasileiro: a broca-do-café (Hypothenemus hampei) e o bicho-mineiro (Leucoptera coffeella).
No caso da broca-do-café, diz o executivo, o estudo da Kynetec detectou variação positiva de 22% na adoção de inseticidas para controle da praga, de 43% para 53%, além de acréscimo de 7% no número de tratamentos -- de 1,82 para 1,95 -- e alta de 10% no custo total do manejo. Já em relação ao bicho-mineiro, ele complementa, os principais impulsos vieram das taxas de 11% na adoção de tratamentos -- de 56% para 62% -- e de 13% no custo do tratamento.
Segundo Abelha, a broca-do-café demandou cerca de R$ 350 milhões em inseticidas em 2025-26, ante R$ 252 milhões da temporada anterior (+38%). Já o controle do bicho-mineiro subiu de R$ 264 milhões para aproximadamente R$ 345 milhões (+30%).
Na terceira posição do FarmTrak Café, os produtos “solo/drench” (jato dirigido) somaram R$ 626 milhões, crescendo 8% diante da temporada 2024-25 (R$ 580 milhões). Tais insumos ocupam, na pesquisa da Kynetec, praticamente a mesma fatia de mercado dos herbicidas, de 19%. Herbicidas movimentaram R$ 627 milhões, cifra 22% maior em relação à safra passada: R$ 513 milhões.
Quinta categoria em representatividade no FarmTrak Café, a dos nematicidas, registrou o maior crescimento englobando todos os segmentos de produtos: 51%, totalizando R$ 218 milhões. Elevou ainda sua participação de mercado de 5%, na safra 2024-25, para 7%. Outros insumos preencheram 3% do mercado ou R$ 99 milhões.
De acordo com a Kynetec, o FarmTrak Café resultou de mais de 1.110 entrevistas pessoais com produtores de café, nas principais regiões produtoras do grão: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, sobretudo.
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