Café fecha nas mínimas em 19 meses com perdas de mais de 2% em NY nesta 5ª

Publicado em 04/06/2026 15:38
Mercado pressionado pelas perspectivas de oferta robusta

A quinta-feira terminou com perdas expressivas de mais de 2% para os preços do café arábica na Bolsa de Nova Iorque. Os contratos mais negociados terminaram o dia caindo entre 2% e 2,3%, com o julho sendo cotado a  247,35 cents de dólar por libra-peso, enquanto o dezembro foi a 235,45 cents/lb. 

Com o recuo desta sessão, as cotações testam suas mínimas em 19 meses no mercado futuro norte-americano, e o robusta - que também cedeu na Bolsa de Londres nesta quinta-feira - chegando aos seus menores valores em sete semanas. 

O avanço acelerado da colheita no Brasil e projeções de uma oferta global robusta são os principais fatores que pesam sobre as mesas de negociação, apesar de problemas pontuais que registra a safra do Brasil nos últimos dias.

O clima predominantemente seco e de altas temperaturas nas principais regiões produtoras brasileiras tem favorecido o bom avanço dos trabalhos de campo nos cafezais do país, garantindo a chegada do grão novo ao mercado e pesando sobre os preços. Os vencimentos mais alongados estão ainda mais baixos. 

Os números continuam sinalizando uma safra recorde no Brasil nos relatórios oficiais, porém, há divergências ainda sobre o tamanho da oferta entre especialistas e produtores, em especial sobre a safra do arábica.

"Embora os estoques certificados globais sigam em níveis historicamente apertados, analistas de mercado apontam que, a menos que ocorra um evento climático extremo nas próximas semanas na América do Sul, a tendência é de que o mercado internacional acomode os preços em patamares mais baixos, consolidando uma transição para uma fase de folga na oferta global", afirmam analistas e consultores internacionais.

O mercado físico brasileiro reflete o recuo externo, operando com ritmo lento e negócios apenas pontuais nos últimos dias. 

"O mercado físico brasileiro de arábica permanece calmo, praticamente paralisado. Os cafeicultores que ainda têm lotes de café arábica da safra atual, 2025/2026, relutam em vender nas bases de preços praticadas pelos compradores, mas diariamente saem alguns negócios", explicou o consultor de mercado Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Cafeicultura movimenta mais de R$ 3 bilhões em defensivos na safra 2025-26, com alta de 22% e recorde histórico
Fórum Café e Clima debate impactos das condições meteorológicas na área da Cooxupé
Café abre a terça-feira(21) com arábica em alta e robusta próximo da estabilidade
Café fecha em alta nas bolsas com mercado ainda sustentado por atraso da safra brasileira
Colheita de café supera metade do previsto na área de atuação da Expocacer
Café amplia ganhos em Nova York com atraso da colheita no Brasil; robusta opera perto da estabilidade