Café inicia quinta-feira em alta nas bolsas, mas mercado segue atento às chuvas e à qualidade da safra brasileira
Os preços do café iniciaram as negociações desta quinta-feira (30) em alta nas bolsas internacionais, em um movimento de recuperação após as perdas registradas no pregão anterior. Os operadores seguem monitorando o avanço da colheita brasileira e, principalmente, os impactos das chuvas sobre a qualidade da safra, fator que continua limitando uma oferta mais confortável de cafés de melhor padrão.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato setembro/26 do café arábica era negociado a 331,45 cents de dólar por libra-peso, com alta de 565 pontos, avanço de 1,72%. Os demais vencimentos também operavam em valorização: dezembro/26 subia 355 pontos, cotado a 312,10 cents/lbp, enquanto março/27 avançava 4 pontos, para 304,45 cents/lbp.
Na ICE Europe, em Londres, o robusta também apresentava recuperação. O contrato setembro/26 era negociado a US$ 3.791 por tonelada, com ganho de US$ 18, alta de 0,48%. O vencimento novembro/26 avançava US$ 23, para US$ 3.772 por tonelada; janeiro/27 registrava valorização de US$ 24, cotado a US$ 3.740 por tonelada; enquanto março/27 subia US$ 39, alcançando US$ 3.725 por tonelada.
Apesar da recuperação técnica nas bolsas, o foco do mercado permanece no Brasil, maior produtor e exportador mundial de café. As chuvas registradas justamente na reta final da colheita têm elevado as preocupações com a qualidade dos grãos e com o andamento dos trabalhos em diversas regiões produtoras.
Segundo informações do setor, o excesso de umidade dificulta a secagem natural dos cafés, aumenta o risco de fermentação indesejada e pode comprometer características importantes da bebida, como aroma, sabor e uniformidade dos lotes. Em algumas regiões, produtores precisaram interromper temporariamente a colheita para evitar perdas ainda maiores.
Além dos impactos sobre a qualidade, as precipitações também reduzem o ritmo da colheita, retardando a chegada de parte da safra ao mercado. Esse cenário mantém compradores atentos à disponibilidade de cafés de melhor qualidade e ajuda a sustentar os preços internacionais, mesmo diante da volatilidade observada nas últimas sessões.
Especialistas destacam que o momento exige atenção dos produtores. Em algumas propriedades, a estratégia tem sido antecipar parte da retirada dos frutos antes da chegada de novos episódios de chuva ou ampliar o uso de estruturas de secagem artificial para minimizar perdas de qualidade.
No mercado físico brasileiro, as negociações continuam ocorrendo de forma cautelosa. Muitos produtores seguem comercializando apenas os volumes necessários para atender compromissos de curto prazo, enquanto aguardam maior definição sobre o comportamento das bolsas, do câmbio e dos reflexos climáticos sobre a qualidade da safra.
Para os próximos dias, o mercado continuará acompanhando a evolução das condições climáticas nas principais regiões produtoras, o avanço da colheita e a qualidade efetiva dos cafés que chegam ao mercado. Esses fatores permanecem como os principais direcionadores das cotações internacionais neste momento.