Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) comemora uma nova era: a formação dos primeiros RC-Tasters do país

Primeira geração reúne 33 especialistas em avaliação de café torrado; próximo passo da entidade é buscar o reconhecimento internacional da norma brasileira
Publicado em 11/09/2026 10:21

A Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) celebrou, nesta quinta-feira (10/09), em São Paulo, a formação da primeira geração de RC-Tasters (Roasted Coffee Tasters). Trinta e três especialistas de todo o Brasil integram o grupo pioneiro que representa uma nova era no universo da cafeicultura. A mesa de abertura reuniu Pavel Cardoso (Presidente da ABIC), Aguinaldo Lima (Diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Cafés Solúveis - ABICS), Camila Arcanjo (Consultora de Qualidade da ABIC), Edvaldo Frasson (Presidente do SINDICAFÉ-SP) e Hugo Caruso (Diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal – DIPOV/MAPA).

“Registramos o Protocolo Brasileiro de Avaliação de Cafés Torrados ABIC na Associação Brasileira de Normas Técnicas. Em seguida, a convite da própria ABNT, fomos reconhecidos como gestores do comitê de cafés. Como parte desse processo de consolidação da metodologia, buscamos formar profissionais focados em identificar o que tem nas xícaras, garantindo a experiência entregue ao consumidor. Com a liderança da Camila Arcanjo desenvolvemos a primeira turma. O próximo passo é o reconhecimento internacional dessa norma, com o protocolo sendo registrado em nível global, para que essa inteligência do Brasil seja reconhecida no mundo. Já iniciamos as tratativas,” afirma Pavel Cardoso.

Para Camila Arcanjo, coordenadora do curso, a iniciativa da ABIC é uma grande contribuição para o desenvolvimento da cafeicultura brasileira. “Acredito nos cafés do Brasil. Buscamos a excelência dos cafés e dos profissionais e precisamos trabalhar por toda a cadeia. Agradeço a todas as pessoas que contribuíram para esse processo e àquelas que se dedicaram e concluíram o curso de RC-Taster.” 

Uma nova atuação profissional no mercado de café

Os RC-Tasters são preparados para atuar em diferentes pontos da cadeia cafeeira, incluindo controle de qualidade em torrefações, armazéns e supermercados; análise de lotes; desenvolvimento de blends; avaliação de produtos no varejo; consultoria e elaboração de pareceres técnicos. A formação ganha relevância em um mercado que reúne mais de 1.000 indústrias de café torrado no Brasil e movimentou R$ 46,24 bilhões em 2025. 

“O curso é inédito no Brasil e, ao realizar esse investimento, a ABIC contribui para preencher uma lacuna do mercado. Preparamos especialistas para avaliar o café de forma técnica, padronizada e alinhada à percepção do consumidor brasileiro. Mais do que formar avaliadores, criamos uma nova referência profissional para o setor, capaz de contribuir com o controle de qualidade, o desenvolvimento de produtos e a disseminação do conhecimento sensorial em toda a cadeia cafeeira”, afirma Aline Marotti, Coordenadora de Certificações e Qualidade da ABIC. 

Ciência sensorial aplicada à xícara

A preparação dos RC-Tasters tem como base a ciência da análise sensorial. Durante o curso, os participantes estudaram fisiologia dos sentidos, psicofísica, identificação e controle de vieses, percepção de diferenças, escalas de intensidade e desenvolvimento de memória sensorial. Ao final, estão capacitados para aplicar o Protocolo Brasileiro de Avaliação de Cafés Torrados ABIC, alinhado à NBR 17238, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 

A metodologia também avalia diretamente o café torrado disponível no mercado. A intenção é analisar o produto em sua condição final de consumo e contribuir com o controle de qualidade, a padronização e o desenvolvimento de produtos pela indústria.

A visão dos primeiros RC-Tasters 

“Foi uma experiência fantástica fazer a formação com mais três colegas de equipe e compor a primeira turma. Vejo como um grande investimento não só na empresa, mas, também, no profissional. Fico feliz de ver uma norma ABNT, com cunho científico, importante para tirar o estigma da subjetividade. Já temos experiência na parte da microscopia, da impureza e, agora, a sensorial é a cereja do bolo. O protocolo da ABIC é fantástico”, revela Margarete Azevedo, da Exattus Análises e Consultoria Técnica, de Minas Gerais. 

“É uma responsabilidade enorme avaliar os cafés que estão nas prateleiras. Precisamos seguir os protocolos com o objetivo de manter um bom nível dos cafés nas gôndolas”, conta José Victor Santos, da JVS Indústria e Comércio, de Barra do Choça, na região do Planalto da Conquista, na Bahia.

“É uma validação para o consumidor brasileiro saber que o que está escrito no pacote foi avaliado com profissionais credenciados. É um salto muito grande na qualidade do café brasileiro”, afirma Éverton Tales, da Verum Consultoria em Cafés, de Minas Gerais. 

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