Café fecha com recuperação em Nova York, enquanto robusta segue pressionado por oferta global
Os contratos futuros do café encerraram a sessão desta quinta-feira (30) em direções opostas nas bolsas internacionais. O arábica voltou a registrar ganhos na ICE Futures US, em Nova York, após as perdas recentes, enquanto o robusta permaneceu pressionado na ICE Europe, em Londres, refletindo a oferta disponível no mercado internacional e o avanço da colheita em importantes países produtores.
Na ICE Futures US, o contrato setembro/26 do café arábica fechou cotado a 323,05 cents de dólar por libra-peso, com queda de 275 pontos. Durante a sessão, o vencimento oscilou entre 322,25 e 338,75 cents/lb.
Já na ICE Europe, o contrato setembro/26 do café robusta encerrou negociado a US$ 3.780 por tonelada, com alta de US$ 7. No decorrer do pregão, os preços variaram entre US$ 3.761 e US$ 3.860 por tonelada.
Apesar da leve recuperação do robusta no fechamento, o mercado continua encontrando resistência diante da maior disponibilidade de café asiático. No Vietnã, maior produtor mundial da variedade, a comercialização perdeu ritmo nesta semana com a redução dos estoques remanescentes e demanda moderada. Segundo traders ouvidos pela Safras News, a maior parte dos produtores já comercializou sua produção, restando apenas volumes nas mãos de cafeicultores com menor necessidade de caixa.
Os operadores também destacam que os impactos do El Niño ainda não foram sentidos sobre a safra vietnamita. Entretanto, há preocupação com possíveis efeitos de condições climáticas extremas entre novembro e março, período considerado decisivo para irrigação e desenvolvimento da próxima produção.
Na Indonésia, a colheita do robusta segue em andamento, especialmente na região de Lampung, onde as condições climáticas permanecem favoráveis. O avanço da safra mantém oferta disponível ao mercado internacional, ainda que os prêmios de exportação tenham apresentado pequenos ajustes ao longo da semana.
No cenário de médio prazo, os agentes continuam repercutindo as novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontam produção mundial recorde de 189,7 milhões de sacas na temporada 2026/27, acompanhada por recordes também no consumo e nas exportações globais. A expectativa de maior disponibilidade continua limitando movimentos mais consistentes de alta nas bolsas.
No Brasil, o mercado físico permanece seletivo. A comercialização avança lentamente à medida que a colheita entra na reta final, enquanto vendedores seguem cautelosos diante da volatilidade das bolsas internacionais e aguardam melhores oportunidades de negociação. A atenção também permanece voltada