Café fecha julho em alta com mercado atento ao El Niño e menor superávit global projetado

Publicado em 31/07/2026 16:26
Arábica sobe mais de 900 pontos em Nova York, enquanto robusta encerra praticamente estável em Londres; revisão da Hedgepoint para o balanço global reforça preocupações com a oferta futura

Os preços do café encerraram a sessão desta sexta-feira (31) em alta nas bolsas internacionais, com o mercado repercutindo a revisão nas perspectivas para o balanço global de oferta e demanda e mantendo no radar os riscos climáticos para a safra 2026/27.

Na ICE Futures US, o contrato setembro/26 do café arábica fechou cotado a 332,10 cents por libra-peso, com alta de 905 pontos. O vencimento dezembro/26 avançou 695 pontos, encerrando a 314,65 cents/lbp, enquanto o março/27 subiu 570 pontos, para 305,30 cents/lbp.

Na ICE Europe, o café robusta terminou o dia praticamente estável. O contrato setembro/26 fechou a US$ 3.782 por tonelada, com alta de 2 pontos. O vencimento novembro/26 avançou 14 pontos, para US$ 3.775 por tonelada, enquanto o janeiro/27 registrou ganho de 16 pontos, encerrando a US$ 3.744 por tonelada.

O mercado encontrou sustentação após a Hedgepoint Global Markets reduzir sua estimativa de superávit global de café para a safra 2026/27, passando de 9,9 milhões para 8,2 milhões de sacas. A revisão considera cortes na produção de alguns países em razão de padrões irregulares de precipitação e do aumento do risco de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses.

Apesar da expectativa de uma safra volumosa no Brasil, a consultoria avalia que o cenário climático pode reduzir parte do excedente inicialmente previsto. Além disso, o mercado segue atento ao ritmo da colheita brasileira e aos baixos níveis dos estoques certificados de arábica na ICE, fatores que mantêm elevada a sensibilidade das cotações a qualquer notícia relacionada à oferta física.

Segundo a Hedgepoint, os meses de agosto a novembro serão decisivos para a formação dos preços. Nesse período, o mercado acompanhará a evolução do El Niño, o início da colheita no Vietnã e na América Central e novas revisões das estimativas de produção nas principais origens. A consultoria não descarta novos ajustes no superávit global caso os impactos climáticos se intensifiquem.

Por: Priscila Alves I instagram: @priscilaalvestv
Fonte: Notícias Agrícolas

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