Café amplia perdas em Nova York nesta 2ª feira, com mercado ainda pressionado por oferta e clima no BR
A semana começa negativa para os futuros do café negociados na Bolsa de Nova York. Os preços arábica voltaram a cair nesta segunda-feira (21), dando continuidade à pressão observada nas últimas sessões. O mercado segue refletindo uma combinação de melhora nas perspectivas para a oferta global, avanço das exportações brasileiras e condições climáticas mais favoráveis nas principais regiões produtoras do Brasil.
Por volta de 7h40 (horário de Brasília), as cotações perdiamde 0,5%a 0,9%, com o vencimento dezembro valendo 278,15 cents por libra-peso,o enquanto o março tinha 269,65 centavos de dólar/lb.
A pressão sobre as cotações já vinha se intensificando na última semana, levando os futuros do arábica às mínimas de cerca de dez semanas. Apesar de os estoques certificados da ICE continuarem historicamente baixos, o mercado passou a olhar com mais atenção para a possibilidade de aumento da disponibilidade nos próximos meses.
Um dos principais fatores continua sendo o Brasil. Dados referentes às duas primeiras semanas de setembro indicaram exportações de café verde em ritmo diário próximo de 13,5 mil toneladas, aumento de 51,5% em relação ao período comparável.
Além do maior fluxo das exportações brasileiras, grandes traders vêm preparando volumes significativos de café arábica do Brasil para entrega e certificação nos armazéns da ICE. O movimento pode ajudar a recompor estoques que chegaram recentemente aos menores níveis em mais de duas décadas e, consequentemente, reduzir parte do prêmio que a escassez vinha adicionando às cotações.
O clima brasileiro também permanece no radar. As chuvas registradas nas últimas semanas melhoraram as condições para as floradas e elevaram as expectativas para a safra de 2027. O mercado acompanha agora a regularidade das precipitações e, principalmente, o pegamento dessas floradas, que será determinante para dimensionar o potencial produtivo da próxima temporada.
As perspectivas de oferta global também ficaram mais confortáveis. Além da expectativa de recuperação da produção brasileira, o Vietnã apresenta condições favoráveis de umidade e aumento de produção, adicionando pressão especialmente sobre o robusta.
Ainda assim, alguns fundamentos continuam limitando um movimento mais intenso de baixa. Os estoques certificados de arábica permanecem em níveis historicamente reduzidos, enquanto o mercado segue atento ao desenvolvimento das lavouras brasileiras e aos possíveis impactos do El Niño nos próximos meses.
Assim, o início da semana mantém o café dividido entre dois conjuntos de fundamentos: de um lado, maior oferta brasileira, clima mais favorável e expectativa de recomposição dos estoques; de outro, níveis certificados ainda muito baixos e incertezas sobre o desenvolvimento efetivo da próxima safra brasileira.