Café acumula 3ª queda seguida em Nova York e fecha nos 277 cents; robusta sobe em Londres nesta quinta-feira

Arábica perde mais de 5% em três pregões, pressionado pelas perspectivas de maior oferta e exportações brasileiras
Publicado em 05/11/2026 16:31

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Os preços futuros do café encerraram a quinta-feira (5) novamente em direções opostas nas bolsas internacionais. Em Nova York, o arábica confirmou a terceira sessão consecutiva de perdas, com o contrato dezembro/26 recuando para a região dos 277 cents por libra-peso. Em Londres, o robusta manteve o movimento positivo pelo segundo pregão seguido. As expectativas de maior disponibilidade de café brasileiro, a volatilidade cambial e as condições favoráveis ao desenvolvimento da próxima safra seguem entre os principais fundamentos acompanhados pelo mercado.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o dezembro/26 terminou cotado a 277,15 cents por libra-peso, com desvalorização de 2,60 cents, equivalente a 0,93%. O março/27 perdeu 1,65 cent, fechando a 269,25 cents, enquanto o maio/27 recuou 1,50 cent, para 265,65 cents por libra-peso.

Com o resultado, o dezembro/26 acumula perda de 14,95 cents por libra-peso desde o fechamento de segunda-feira (2), quando estava cotado a 292,10 cents. A desvalorização acumulada nos três últimos pregões chega a 5,12%.

O mercado chegou a ensaiar uma recuperação durante a manhã desta quinta-feira, quando o dezembro/26 voltou a superar os 280 cents por libra-peso. Entretanto, os ganhos não foram sustentados e o contrato retornou ao campo negativo ao longo da sessão.

Robusta sustenta segundo pregão de valorização

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os contratos futuros do café robusta conseguiram manter o movimento positivo, embora tenham devolvido parte dos ganhos observados durante o dia.

O novembro/26 terminou cotado a US$ 3.256 por tonelada, com alta de US$ 13. O janeiro/27 também ganhou US$ 13, encerrando a US$ 3.241, enquanto o março/27 avançou US$ 11, para US$ 3.219. O maio/27 registrou valorização de US$ 9, terminando a US$ 3.209 por tonelada.

Durante a manhã, o contrato janeiro/27 chegou a ser negociado a US$ 3.281 por tonelada e, posteriormente, alcançou US$ 3.298. A valorização perdeu intensidade ao longo do pregão, mas foi suficiente para garantir o segundo fechamento consecutivo no campo positivo.

A recuperação ocorre em um cenário de atenção à colheita vietnamita e às perspectivas de maior disponibilidade internacional de robusta, enquanto os investidores também acompanham os estoques certificados e o comportamento dos diferenciais entre as duas variedades.

Hedgepoint destaca influência do câmbio sobre vendas brasileiras

Em análise divulgada nesta quinta-feira, a Hedgepoint Global Markets destacou que a volatilidade cambial observada no Brasil desde o final de outubro tem influenciado diretamente as decisões de comercialização do café.

Segundo a consultoria, a forte desvalorização do real após o segundo turno das eleições brasileiras ampliou a atratividade das vendas em moeda nacional, mesmo diante das quedas dos contratos futuros em Nova York.

Entre 23 e 26 de outubro, o primeiro contrato do arábica apresentou recuo de 2,1% em dólares por saca de 60 quilos, enquanto o valor convertido em reais registrou alta de 6,5%. A diferença estimulou negócios no mercado brasileiro, segundo a Hedgepoint, contribuindo para melhorar as perspectivas de disponibilidade do produto.

“A desvalorização do real compensou parte da queda dos preços em dólares, mas os fundamentos mais amplos do café seguem baixistas e podem continuar pressionando as cotações”, afirmou Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

A avaliação é acompanhada por expectativas de aceleração das exportações brasileiras. Conforme dados preliminares do Cecafé disponíveis até 30 de outubro e citados pela consultoria, haviam sido emitidos certificados para mais de 5 milhões de sacas, das quais cerca de 4,9 milhões já estavam embarcadas.

Os volumes indicam movimentação expressiva, embora ainda seja necessário aguardar a consolidação dos dados definitivos do comércio exterior para confirmar o resultado mensal.

Clima favorável reforça expectativas de maior disponibilidade

Além das condições cambiais, a Hedgepoint destaca que o clima brasileiro permanece favorável ao desenvolvimento da safra 2027/28 de café, tanto nas regiões produtoras de arábica quanto de conilon.

Segundo a consultoria, as chuvas acima da média registradas em setembro e outubro, acompanhadas por temperaturas amenas, favoreceram o pegamento das floradas. A expansão de área observada nos últimos três anos também pode contribuir para uma produção elevada, caso as condições climáticas continuem positivas.

A expectativa é de redução na produção de arábica em razão do ciclo bienal, enquanto o conilon poderá apresentar crescimento na próxima temporada.

O cenário de maior disponibilidade também é acompanhado pelo Rabobank, que avalia a possibilidade de recuperação gradual da oferta internacional, embora ressalte a permanência de riscos climáticos e de qualidade.

As perspectivas positivas, entretanto, não eliminam as incertezas sobre a produção. A Hedgepoint alerta para os possíveis efeitos do El Niño no primeiro trimestre de 2027, que poderão afetar importantes regiões produtoras.

Estoques certificados reduzidos ainda oferecem contraponto

Apesar das expectativas de maior oferta, os estoques certificados de arábica na Bolsa de Nova York permanecem em níveis historicamente reduzidos.

Na terça-feira (3), o volume monitorado pela ICE estava em 220.379 sacas, próximo da mínima de 27 anos registrada em setembro. Ao mesmo tempo, havia 55.396 sacas de café brasileiro aguardando classificação nos armazéns credenciados, segundo informações divulgadas pelo Barchart.

A eventual aprovação desses lotes poderá contribuir para recompor os estoques certificados, embora a chegada física do produto não represente sua incorporação automática aos volumes disponíveis para entrega na bolsa.

No caso do robusta, os estoques certificados em Londres apresentaram crescimento nas últimas semanas, enquanto o mercado também acompanha a entrada da nova safra vietnamita.

Para os produtores brasileiros, o encerramento desta quinta-feira reforça a importância de acompanhar a formação dos preços para além das oscilações internacionais. O câmbio pode compensar parte das perdas em dólares, mas a efetiva remuneração depende também dos diferenciais comerciais, da qualidade do produto e das condições de negociação.

A continuidade das chuvas nas regiões produtoras, a evolução dos embarques brasileiros e a recomposição dos estoques certificados permanecerão entre os principais fatores acompanhados pelo mercado nas próximas sess

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