Consumo de café no Brasil avança 2,29% no ano até agosto, diz Abic

Publicado em 22/09/2026 16:16 e atualizado em 22/09/2026 17:24

 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 22 Set (Reuters) - As vendas de café no varejo brasileiro aumentaram 2,29% de janeiro a agosto em relação ao mesmo período do ano passado, para o equivalente a 13,69 milhões de sacas de 60 kg, com uma recuperação do consumo em meio a preços mais baixos em 2026, apontou nesta terça-feira a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).

O consumo havia despencado 5,4% nos oito primeiros meses de 2025, quando o varejo do Brasil -- segundo consumidor mundial de café, atrás dos EUA -- era afetado por preços altos devido a problemas na oferta global.

O Brasil, maior produtor global, colheu uma safra recorde em 2026, colaborando para aumentar os estoques e pressionar as cotações do produto.

No segundo quadrimestre, as vendas de café no varejo avançaram 4,65% em relação ao mesmo período de 2025, para cerca de 7 milhões de sacas, segundo os dados da Abic.

Os resultados dos meses mais recentes indicam que o consumo de café no Brasil está em recuperação, após o setor ter registrado no ciclo anterior a primeira queda anual desde 2022.

"Temos potencialmente a chance de recuperar o consumo médio do Brasil, com crescimento acima de 2,5%", disse o presidente da Abic, Pavel Cardoso, a jornalistas, referindo-se ao ano completo da indústria.

No último ano do setor, que vai de novembro a outubro, o consumo de café caiu 2,3%.

A esperada evolução do consumo nos próximos meses, ponderou Cardoso, depende do comportamento dos preços globais, caso problemas climáticos do El Niño não tragam pressões de alta para o mercado, que obriguem a indústria local a repassar os custos da matéria-prima.

Cardoso disse ainda que as primeiras indicações sobre a safra de 2027 do Brasil são favoráveis, considerando as chuvas que despertaram boas floradas nos cafezais brasileiros.

Mas ele alertou que é preciso atenção para os próximos meses, caso o El Niño traga problemas para o desenvolvimento dos grãos.

As questões climáticas, desde as geadas atingiram a safra brasileira em 2021, levaram a indústria a trabalhar com estoques mais curtos do que no passado, frisou o dirigente.

Ele disse que a Abic não tem um acompanhamento de estoques, mas disse acreditar que o setor trabalha atualmente com estoques para quatro a sete semanas, versus até 12 semanas há cerca cinco anos.

NORMALIDADE DA OFERTA NO MOMENTO

Com a chegada da safra brasileira, o abastecimento de matéria-prima para indústria, a partir do final de maio de 2026, saiu de "oferta seletiva" para "normalidade" tanto nos grãos arábicas como nos canéfora, disse a Abic.

"Isso conversa diretamente com os preços apresentados e com a evolução do consumo", disse o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, ao apresentar os números a jornalistas.

O preço médio do café no varejo diminuiu em todas as categorias/estilos em agosto, em relação ao mesmo mês de 2025.

A maior queda foi para o café Tradicional/Extraforte, que caiu 21,22%, para R$49,50/kg. O café solúvel teve queda de 19,31% na mesma comparação, para R$203,64/kg.

Na comparação entre julho e agosto de 2026, o mercado mostrou "oscilações menores" de preços na maior parte das categorias, "indicando um cenário de maior estabilidade após as fortes movimentações registradas ao longo de 2025".

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)

Fonte: Reuters

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