Alta do café no Brasil desacelera em 2025, mas preço sobe quase 90% em 2 anos, aponta IBGE
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Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO, 9 Jan (Reuters) - O preço do café ao consumidor brasileiro encerrou 2025 com alta de 35,65%, de acordo com o indicador de inflação IPCA, após problemas de oferta no Brasil e no exterior iniciados em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira.
Apesar da forte valorização, o produto ficou menos caro na segunda parte de 2025 no país que é segundo consumidor global atrás dos Estados Unidos, com a chegada da safra brasileira e mesmo com fatores como o tarifaço de Donald Trump, que interferiu no fluxo comercial.
No biênio 2024/2025, contudo, o café ao consumidor acumulou avanço de 89,37%, após ter registrado alta de 39,60% em 2024.
"O café diminuiu a pressão sobre os preços ao consumidor, mas tem um longo caminho pela frente diante da forte alta entre 2024 e o começo de 2025", disse a jornalistas Fernando Gonçalves, gerente do IBGE.
No primeiro semestre de 2025, a variação do café chegou a superar 80% em 12 meses, mas os preços perderam força a partir de julho, com a entrada da safra brasileira e menores preocupações relacionadas à oferta de países como o Vietnã, cujas exportações saltaram no ano passado.
Segundo Gonçalves, o alívio ocorreu com maior oferta global, condições climáticas mais favoráveis e também por influência do câmbio no Brasil.
"A oferta maior já começou a aparecer para o consumidor final", afirmou.
A inflação oficial do país fechou 2025 com alta de 4,26%, dentro do teto da meta de 4,50%. O café contribuiu com 0,18 ponto percentual para a taxa final, ante 0,15 ponto em 2024.
6ª QUEDA MENSAL
Em dezembro, o café registrou a sexta queda seguida no IPCA, com recuo de 0,26%, acumulando baixa de 5,08% no período de seis meses.
Por outro lado, os alimentos subiram menos de 3% em 2025, oitava menor variação desde o início do Plano Real, ajudando a conter a inflação.
"A safra de grãos ajudou muito a colocar a inflação na meta e pesar menos no bolso dos consumidores. O dólar menor também influenciou, assim como a cotação das commodities. Mas a oferta muito grande de produtos foi o que mais ajudou", completou Gonçalves.
(Por Rodrigo Viga Gaier)
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