Café fecha em baixa em NY e físico acompanha pressão em parte das praças nesta 5ª feira
Os preços do café arábica encerraram esta quinta-feira (1º) em baixa na Bolsa de Nova York, com perdas disseminadas entre os principais contratos e mais intensas nos vencimentos mais longos. No mercado físico brasileiro, o movimento também apareceu em algumas das principais praças produtoras, embora sem uma queda generalizada das cotações.
Na Bolsa de Nova York, o contrato dezembro/26 terminou cotado a 289,25 cents/lbp, com baixa de 0,50%. Março/27 perdeu 0,85%, para 280,25 cents/lbp, enquanto maio/27 recuou 1,02%, negociado a 277,00 cents/lbp.
Entre os vencimentos seguintes, julho/27 apresentou a maior perda do painel, de 1,12%, fechando a 274,90 cents/lbp, enquanto setembro/27 caiu 1,07%, para 272,95 cents/lbp.
O desempenho desta quinta-feira marca uma correção das cotações em Nova York, enquanto o mercado segue sensível aos movimentos dos fundamentos que vêm direcionando os preços do arábica.
O câmbio voltou a exercer pressão sobre as cotações do arábica. A valorização da moeda norte-americana tende a pesar sobre commodities negociadas em dólar e, no caso específico do café brasileiro, o enfraquecimento recente do real frente à divisa dos Estados Unidos também favorece a competitividade das exportações do Brasil e pode estimular vendas dos produtores. A moeda americana fechou o dia acima dos R$ 5,20, com quase 1% de alta.
Esse efeito já vinha sendo observado nas sessões anteriores. Na quarta-feira, o Barchart apontava que o real havia atingido a mínima de seis semanas frente ao dólar, fator que incentivava as vendas brasileiras e pressionava os futuros.
Do outro lado, o clima brasileiro continua colocando um piso importante no mercado. As preocupações se concentram sobre a safra 2026/27, que atravessa uma fase decisiva de florada. A previsão de chuvas limitadas para Minas Gerais — principal estado produtor de arábica — vinha sustentando as cotações e levou o arábica recentemente às máximas de duas semanas e meia.
Além disso, os estoques certificados de arábica na ICE permanecem historicamente baixos. No início desta semana, estavam em cerca de 253 mil sacas, depois de terem atingido apenas 217,6 mil sacas em 15 de setembro, menor nível em 27 anos. Esse aperto dos estoques funciona como contraponto às pressões baixistas sobre Nova York.
Físico tem comportamento misto, mas arábica registra baixas
No mercado físico brasileiro, os preços encerraram a quinta-feira com comportamento misto nas principais praças acompanhadas pelo Notícias Agrícolas, mas com maior presença de quedas entre as referências do arábica que apresentaram variação no dia.
Em Araguari (MG), o café arábica tipo 6 bebida dura bica corrida caiu 1,76%, para R$ 1.670,00 por saca. Em Varginha (MG), a perda foi de 1,20%, levando a referência para R$ 1.650,00 por saca. Na direção oposta, Campos Gerais (MG) registrou leve avanço de 0,29%, com a saca a R$ 1.700,00.
Em Machado (MG), não houve variação, com o café negociado a R$ 1.720,00 por saca, enquanto Franca (SP) também ficou estável, a R$ 1.680,00. Nas praças sem indicação de variação diária, Patrocínio (MG) apresentou referência de R$ 1.725,00, Poços de Caldas (MG) de R$ 1.590,00 e o Oeste da Bahia de R$ 1.530,00 por saca. Guaxupé (MG) aparecia sem cotação na atualização.
O café cereja descascado repetiu o comportamento misto observado no arábica. Em Varginha (MG), a saca caiu 1,14%, para R$ 1.730,00. Já em Campos Gerais (MG), houve alta de 0,28%, levando a cotação a R$ 1.760,00 por saca.
Em Patrocínio (MG), a referência ficou igualmente em R$ 1.760,00, enquanto Poços de Caldas (MG) marcou R$ 1.740,00 por saca. Guaxupé também estava sem cotação para o cereja descascado.
Assim, a pressão registrada nos futuros de Nova York chegou a algumas praças brasileiras nesta quinta-feira, mas não provocou um movimento uniforme no mercado físico. Enquanto Araguari e Varginha acompanharam mais claramente a direção negativa da bolsa, outras referências permaneceram estáveis ou registraram pequenas altas, mantendo o mercado doméstico sem uma tendência única no encerramento do dia.